O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 11/05/2020
No livro “Por uma outra globalização”, o geógrafo Milton Santos apresenta duas globalizações: a utópica, que é a idealização de um mundo no qual todos os brasileiros tem acesso a internet, ou seja, o conceito que é passado para sociedade; e a perversa, a real, aquela no qual o acesso ao mundo virtual é privado das pessoas carentes. Infelizmente, devido ao fato do Estado passar a ideia de que vivemos na globalização idealizada, as coisas, que antes eram feitas de forma “real” migraram para o mundo virtual. Em virtude disso, os cidadãos carentes privam-se de direitos básicos, como o acesso a educação e a privacidade de seus dados.
Deve-se pontuar, de inicio, que segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) um a cada quatro brasileiros não possuem internet em casa, e isso é preocupante, pois tendo em vista que há uma idealização que todos possuem acesso a internet, diversas coisas importantes acabam “migrando” para o mundo virtual, como as inscrições para o ENEM e Vestibulares, por exemplo. Por consequência, quando não há uma “Lan House” perto da casa do cidadão ou quando o estabelecimento está fechado, corre o risco do individuo não conseguir fazer um vestibular para mudar sua situação socioeconômica. Dessa forma, o problema da carência financeira se perpetua.
Outrossim, as pessoas que não possuem acesso a internet dependem de computadores públicos, sejam de eles de “Lan House” ou de bibliotecas do povo. Conseqüentemente, seus dados podem ser roubados com maior facilidade, uma vez que a internet por si, já é um ambiente perigoso, e os computadores, no qual diversas pessoas tem acesso, podem ser usados como ferramentas para “hackers”.
Visto isso, faz-se necessário a reversão de tal contexto. Para isso, é necessário que o Ministério dos Direitos Humanos em parceria com empresas privadas de telecomunicação façam com que todos os brasileiros tenham a acesso ao mundo virtual, isso acontecerá por meio de um programa que deverá mapear as famílias carentes e dar a elas internet de boa qualidade por um preço simbólico levando em consideração perfil socioeconômico da família, a empresa que ceder a internet terá isenção de impostos e as famílias que se beneficiarem com o programa deverão, caso possuam filhos menores, terem adolescentes e crianças devidamente matriculadas nas escolas, para que assim eles possuam maior “facilidade” em mudar de vida. Dessa forma, talvez em um futuro próximo, a globalização utópica torne-se real.