O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 14/05/2020

A Organização das Nações Unidas - ONU - declarou que o acesso à internet é um direito humano no século XXI pois promove a plena cidadania. Nesse viés, estima-se que em torno de 75 % dos brasileiros possuem acesso à internet, porém, o acesso com qualidade se reduz entre esses cidadãos, o que representa uma disparidade social que aumenta os abismos entres as classes sociais. Dessa forma, verificam-se como problemas a ausência de alteridade entre os cidadãos de classes sociais díspares atrelada a desigualdade social no acesso ao direito humano, o que devem ser solucionados.

De acordo com Emanuel Lévinas, em seu conceito de ética a alteridade, a modernidade retira do indivíduo a capacidade em entender sua responsabilidade com o outro, criando uma sociedade individualista, na qual não há uma compreensão a respeito da realidade na coletividade. Nesse sentido, é visto que numa necessidade de mudança no modelo educacional online, há o privilégio da porção de alunos que possui acesso a uma internet de qualidade, excluindo os demais, na qual torna-se ainda mais evidente a disparidade econômica-social brasileira, explanando uma sociedade egoísta e que incompreende a existência de outros que não detêm das mesmas oportunidades. Assim, a ausência de alteridade na sociedade brasileira amplia o abismo social e digital entre os indivíduos, na qual ações efetivas devem ser postas em prática.

Ademais, Pierre Bourdieu cria o conceito de habitus como o conjunto de fatores que compõem um indivíduo, em que o acesso ao capital social, econômico ou cultural se acumulam e constroem a sua posição na esfera social, que possibilita ou impede o acesso à internet. Em tal contexto, leva-se em conta que as periferias, regiões mais pobres e rurais do país não possuem o acesso à internet, em contrapartida com as regiões urbanas que além de possuírem uma estrutura de redes maior, agrega as pessoas de classes mais elevadas, o que gera a exclusão digital em uma sociedade hiperconectada e, em consequência, à exclusão social, comprometendo o exercício pleno da cidadania. Dessa forma, o acesso à internet é um elemento de exclusão social, evidenciando que medidas devem ser tomadas.       Portanto, verifica-se que, dentro outros fatores, a desigualdade social proveniente da ausência de alteridade da sociedade leva ao cenário de acesso desigual à internet. Desse modo, é dever do Estado promover o acesso igualitário à internet e instrumentos digitais a toda população por meio da ampliação das redes de banda larga em todas as regiões povoadas do país, acordos com empresas para fornecimento de preços acessíveis a todos e oferecimento de subsídios para obtenção dos instrumentos tecnológicos, a fim de que o acesso à internet deixe de ser um privilégio e se torne um bem comum a todos. Assim, se assegurará o direito a plena cidadania proposta pela ONU.