O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 14/05/2020

O uso da internet tem ganhado mais prestígio diante da globalização e seu processo de inovação tecnológica. Houve um crescimento de 36 milhões de usuários de internet no Brasil de 2008 até 2018 conforme artigo do G1, o que evidencia a crescente demanda da inclusão digital em território nacional. Todavia, essa mesma pesquisa evidenciou que 62 milhões de brasileiros não possuem acesso à internet, o que impede que essa população possa gozar da chamada plena cidadania. Afinal, a ONU, em 2014, declarou que o acesso à internet é um direito humano do século XXI.

Em primeira análise, os obstáculos para o acesso à internet no Brasil se mostram muito ecléticos. Um dos motivos predominantes dessa condição é a questão financeira limitante, como pode ser observado na pesquisa publicada pelo IBGE em abril de 2020: 11,8% das pessoas da população sem o acesso à internet explicam que o serviço deste é muito caro e 5,7% delas expõem que o equipamento necessário para acessar a internet, como celular, laptop e tablet, é financeiramente inviável. Ademais, em certas ocasiões, o Governo exige que, para ter acesso a um direito por meios digitais, como renovação de documentos ou requisições oficiais, o indivíduo exerça outro: o uso da internet, o qual ele não possui.

Nesse sentido, essa circunstância limitadora compromete a cidadania. Dado que, hoje, numa sociedade hiperconectada, no sentido atribuído a ela pelo filósofo francês Pierre Lévy, as informações mais importantes do nosso cotidiano estão na internet: os fatos, os acontecimentos, as maneiras de acessar espaços e direitos. Então, a exclusão digital se traduz em exclusão social. Pelas próprias palavras de Tadao Takahashi, um dos responsáveis pela infraestrutura de internet no Brasil, “É urgente trabalhar no sentido da busca de soluções efetivas para que as pessoas dos diferentes segmentos sociais e regiões tenham amplo acesso à Internet, evitando assim que se crie uma classe de infoexcluídos”.

Portanto, se torna evidente, diante desse cenário globalizado, a importância de medidas que possam vir a reverter essa situação. O responsável por resolver esse problema é o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação: este precisa investir nas redes de internet no Brasil com a cobertura nas áreas mais periféricas. É necessário, também, que sejam lançados planos de subsídios a computadores e a redes de internet de modo que a população carente tenha acesso a um custo mais baixo e acessível. Dessa forma, a população poderá usufruir de seu direito humano, assim como referido pela ONU, e alcançará a devida plena cidadania.