O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 14/05/2020

No primeiro semestre de 2018, a Rede Globo movimentou uma campanha estimulando que as pessoas enviassem vídeos à emissora, respondendo à pergunta ‘’ Qual Brasil você quer para o futuro? ’’ Entre inúmeras reivindicações, uma espectadora do Pará respondeu que gostaria de um País com uma maior democratização do acesso à internet. Essa afirmação evidencia um problema social enfrentado por 63,4 milhões de Brasileiros: a exclusão digital, que decorre tanto da dificuldade de inserção da internet em algumas localidades, quanto da ampla desigualdade social existente no País. Dessa forma, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz, fazendo jus a democratização do meio tecnológico.

A priori, é imperioso destacar que o acesso à internet no Brasil possui desafios, estes que são frutos da ampla desigualdade existente no País. Isso porque, o acesso a meios tecnológicos não é comum a todos os indivíduos, visto que grande parcela populacional não possui como arcar financeiramente para manter tal acesso como algo de sua realidade. Ademais, muitas vezes o ingresso a esses meios tecnológicos é considerado apenas como um hobby e não como um investimento necessário, fato que corrobora com a extrema dificuldade que alguns indivíduos possuem ao quererem aderir esse luxo. Além disso, pesquisas divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que 51% dos mais de 200 milhões de Brasileiros ainda não se encontram inclusos no mundo digital, sendo grande parcela desses números, indivíduos jovens, convergindo assim, com a extrema dificuldade encontrada para se inserirem em plataformas de educação e até mesmo serviços governamentais, como o agendamento online em órgãos públicos e inscrição para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Outrossim, é imperativo pontuar a dificuldade no que tange a inserção de redes com conexões de internet em algumas localidades. Visto que inúmeras vezes a falta de infraestrutura ou grandes distâncias impossibilitam o alcance da conectividade. Entretanto, na ausência de operadoras capazes de introduzirem redes a cabo nessas áreas, a transferência por fibras ópticas é capaz de suprir essa lacuna, originando assim, empresas que oferecem planos de internet acessíveis em regiões com dificuldades. Porém, os desafios não se restringem apenas ao acesso, mas também na falta dos aparelhos que necessitam dele, como computadores e celulares. Dessa forma, reforça-se a ampla desigualdade social como fator preponderante. Ainda, vale ressaltar a divergência no que concerne a decisão diante a pandemia do coronavírus sobre o Governo disponibilizar atividades à distância para os alunos, visto que muitas famílias não possuem condições de acessá-las e outras nem ao menos possuem conhecimento de que estão acontecendo.

Depreende-se, portanto, a necessidade de liquidar tais desafios para o acesso à internet no Brasil. Para tanto, o Governo juntamente ao Ministério da Ciência e da Tecnologia – instituição vinculada ao poder Executivo e responsável por assegurar os direitos constitucionais de acesso à tecnologia aos cidadãos- devem desenvolver através de políticas públicas a inclusão digital, garantindo serviços mais baratos desde comunicação social como telefonia até conexões de internet, oferecendo assim, dados e voz para as populações de baixa renda, corroborando para a inclusão digital desses indivíduos. Ademais, o Governo por meio da destinação de maior parcela de seu orçamento público deve construir centros que disponibilizem computadores e acesso à internet em localidades onde o acesso às redes é restrito, contando com a presença de profissionais especializados para ensinar à população a manusear as ferramentas virtuais, otimizando seu uso para trazer benefícios aos usuários. Feito isso, reivindicações como a da paraense serão possíveis, fazendo jus à democratização do acesso à internet no Brasil.