O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 14/05/2020

Devido às medidas de isolamento geradas pela pandêmia do Corona Virus em 2020, muitas escolas tiveram que adotar o EAD (ensino à distância) para continuar a ensinar os seus alunos em meio à quarentena. Infelizmente, este tipo de plataforma educativa intensifica a desigualdade social no país, pois enquanto uns possuem internet e computadores para realizar as tarefas e estudar, outros vivem em condições mais precarizadas e não possuem as ferramentas necessárias para acessar as plataformas on-line. Portanto, a desigualdade do acesso à internet pelos estudantes promove a exclusão social e precariza a educação brasileira.

De acordo com o educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, a educação é um processo mútuo, no qual todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem são beneficiados. Isso significa que, para que o processo pedagógico seja completo, é necessária que exista interação entre professor e aluno, afim de que o diálogo e a interpretação mútua dos questionamentos levantados sejam contemplados. Dessa forma, a educação via internet precariza a educação, pois não propicia um espaço que viabilize o diálogo e a interação, tornando o processo de aprendizagem uma mera transmissão de conteúdos que muitas vezes não são absorvidos pelos estudantes, além de limitar o papel do professor no processo pedagógico.

Ademais, o ensino à distância amplia a exclusão social, uma vez que 42% dos lares brasileiros não possuem acesso à internet. Dessa forma, os estudantes desprovidos deste recurso ficam em desvantagem em relação aos demais que, por terem acesso à internet, puderam continuar a assistir as aulas, receber conteúdos e realizar pesquisas no ambiente virtual. Assim, os estudantes mais abastados saem na frente na disputa por uma vaga em universidades públicas, o que implica em uma menor taxa de ingresso das classes C e D no ensino superior, ampliando a desigualdade social.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da saúde, em parceria com o Ministério da Econômia, deve ampliar o acesso à internet, por meio da criação de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Nele deve constar que famílias com renda per capta inferior a 1,5 salários mínimos e que possuam crianças e jovens em idade escolar e/ou indivíduos devidamente matriculados em cursos de graduação deverão ser contempladas com uma “Auxílio-tecnologia”, pelo qual garante-se um acesso ilimitado à internet e a um computador para que os estudantes possam realizar suas atividades remotamente. Espera-se, com essa medida, que o aceso à educação seja ampliado à toda a população brasileira, combatendo o impasse de maneira precisa e democrática.