O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 29/05/2020
É notório que com a ampliação de um mundo globalizado o acesso a internet também se ampliou. Entretanto, a noção de acesso pleno ainda é um fato distante, visto que quase metade da população do planete não o possui. Sob tal ótica, a ausência de políticas públicas integrativas e de empresas que ofereçam preços mais acessíveis, em especial para as regiões mais vulneráveis, configuram como causa do problema e elevam as desigualdades já existentes.
Em primeira análise, observa-se que no Brasil ainda são poucas ou inexistentes as políticas governamentais que integrem o acesso á internet a todos os brasileiros. Segundo dados do site Agência Brasil, 4,8 milhões de crianças e adolescentes não tem acesso á internet e esse número se agrava em áreas rurais. Nesse sentido, a exclusão de uma parcela da sociedade a esse meio, afeta nocivamente a vida dessas pessoas, principalmente quando em decorrência desse fato as exclui também de acessar educação, informação e cultura. Assim, a mazela da desigualdade se reproduz e impõe o que o filósofo Pierre Bourdieu chamou de violência simbólica, a qual se traduz no fato de os indivíduos não partirem de um mesmo ponto de igualdade, pois não tem as mesmas oportunidades, no entanto, são cobrados de igual maneira. Analogamente, a falta de acessibilidade plena se insere no contexto da violência simbólica e é ,portanto, inaceitável a persistência desse cenário.
Em segundo plano, os altos valores cobrados para pacotes de internet é outro determinante para a ausência de um alcance total e democrático ao espaço virtual. Consoante a pesquisa realizada pela TIC Domicílios (Tecnologia de Informação e de Comunicação), enquanto 98% das casas de classe A no Brasil estão conectadas, somente 8% das casas de classe D e E possuem acesso á internet. Em adição, um levantamento do IBGE, 2019, mostrou que quase metade da população brasileira vive com 439 reais por mês. Diante disso, é evidente a exclusão das classes menos favorecidas que não tem condições econômicas suficientes para arcar com a aquisição desses pacotes de conexão, pois comprometeria boa parte de sua renda, a qual já é muito longe da ideal para se viver com qualidade.
Portanto, urge medidas que diminua as disparidades e promova acesso igualitário. Logo, o Ministério das Cidades deve implantar pontos de internet gratuita nas comunidades mais carentes e na zona rural, que são as mais afetadas com a falta desse recurso, por meio de um cadastro que identifique quais são os grupos mais marginalizados. Com o fito de mitigar a violência simbólica a que está imersa essa parcela de brasileiros e coloca-los em um mesmo ponto de equidade.