O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 21/05/2020

Os surtos, epidemias e pandemias de doenças trazem à tona a face mais perversa da sociedade brasileira: a desigualdade. Com a questão do isolamento social, medida necessária devido à pandemia de Covid-19, a educação Ead assumiu papel primordial; em substituição a modalidade de ensino tradicional. Com isso, o acesso à educação, antes desigual no Brasil, transformou-se em um abismo elitista, e além de evidenciar e ampliar a problemática da desigualdade no país, uma vez que somente um terço da população tem acesso à internet. No mundo globalizado e altamente tecnológico, negar o acesso à internet é como negar o seu espaço no mundo; uma vez que, a internet tem adquirido um papel cada vez mais importante e determinante na sociedade.

No Brasil, sétimo país mais desigual do mundo, é impossível pautar o acesso aos diversos tipos de recursos, como saúde, educação, alimentação, previdência, internet – Direitos Fundamentais da Pessoa Humana, de acordo com a Constituição Federal – sem atrelar a desigualdade. Uma vez que, apenas 50% dos brasileiros vivem em moradias com acesso à água, esgoto, até duas pessoas por dormitório e internet. Essas pessoas, das classes mais pobres da população vêm sofrendo inúmeros prejuízos devido ao não cumprimento do Estado da sua função: fornecer condições dignas de sobrevivência. De encontro à essa lamentável realidade, temos o crescente aumento da dependência da internet nos diversos âmbitos: educação, comunicação, trabalho, e inclusive, ações simples, como checar os horários dos transportes públicos.

Dessa maneira, o acesso à internet tem pautado o futuro de milhares de jovens. O INEP, órgão responsável pela realização da prova do ENEM, divulgou os seguintes dados: das 5% melhores notas obtidas no exame – 1 em cada 4 estudantes pertenciam à classe alta ou média; já entre as classes mais pobres – 1 em cada 600. Parafraseando Anísio Teixeira, criador do INEP: só existirá democracia quando se montar a máquina da democracia - o ensino público. Desse modo, em um mundo globalizado, a democracia depende da escola pública, que, por sua vez, depende cada vez mais do acesso à internet.

Visto isso, faz-se necessária a reversão de tal quadro. Para uma nação ser considerada plenamente desenvolvida, deve visar o bem estar de todos os seus indivíduos de maneira igualitária. O que, lamentavelmente, não ocorre no Brasil. Para democratizar o acesso à educação e garantir a participação da população marginalizada, o Governo, em nível Municipal deve implementar o acesso à internet gratuito para todos, por meio da instalação de redes abertas e de qualidade em toda a cidade, com o intuito de tornar o acesso à informação justo e universal.