O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 17/05/2020
O filósofo Pierre Lévy afirma em uma de suas análises sobre a revolução do meio digital que qualquer nova tecnologia é capaz de gerar seus excluídos. Tal perspectiva é evidenciada pelo contexto brasileiro contemporâneo, no qual, visto a necessidade de reduzir aglomerações para evitar a propagação do COVID-19, o ensino à distância foi recomendado pelo MEC como solução para a pausa das aulas presencias. Esse método de ensino é, entretanto, inviável para a parcela da população que não desfruta do acesso à internet, o que leva à percepção ainda mais clara do quanto a carência de acesso ao recurso tecnológico em questão pode ser determinante para elevar a desigualdade social.
Primeiramente, faz-se necessária a menção de dados que indicam uma parcela superior a 40% da população brasileira que não possui sequer acesso a computadores em suas residências. Em um mundo dominado pela tecnologia de informação, os que possuem um acesso precário ou nulo aos recursos tecnológicos são, consequentemente, privados da obtenção de diversas informações. No âmbito da educação, por exemplo, o grupo de estudantes que não pode ampliar seu conhecimento através da internet ou participar de um sistema de ensino à distância em situações como a atual crise pandêmica adquire uma elevada desvantagem em relação aos estudantes que acessam diariamente os recursos disponíveis na internet. Torna-se evidente a profunda desigualdade entre os que assistem a aulas on-line e os que não possuem ao menos um computador que os permita fazer o mesmo.
Ainda nesse contexto, os empecilhos quanto ao acesso às informações disponíveis nas diversas plataformas on-line diminuem consideravelmente as fontes de conhecimento ao alcance do indivíduo. Além de produzir reflexos no meio educacional, esse fator afeta também o mercado de trabalho brasileiro. É inegável que o acesso aos recursos da internet favorece o estudo de notícias, pesquisas e a absorção do conhecimento essencial para a obtenção de um emprego e para o crescimento nesse meio de trabalho. Com isso, ao serem privadas da tecnologia em questão, as pessoas inseridas nesse grupo social desfavorecido recebem uma desvantagem prévia na tentativa de encontrar um bom emprego. Além de aprofundar, em outro âmbito, a desigualdade já mencionada, essa realidade acaba por se tornar um agravante dos índices de desemprego já elevados do Brasil.
Com as consequências da deficiência do acesso à internet em vista, faz-se necessário que órgãos governamentais municipais e estaduais tomem medidas quanto a essa realidade. O investimento na criação de redes públicas que permitam a conexão com a internet é um exemplo de ação a ser realizada para ampliar o acesso à informação no Brasil. Conforme Pierre Lévy afirmou, tecnologias podem gerar exclusões, mas cabe à sociedade fazer o máximo para reduzir o número de excluídos.