O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 24/05/2020
A globalização trouxe benefícios inigualáveis à população em geral, contudo, também carregou o ampliamento das desigualdades sociais. A convivência plena nos dias atuais depende, majoritariamente, de recursos tecnológicos, os quais se submetem ao acesso à internet. Dessa forma, é importante ressaltar o quesito da escassa disponibilidade do “mundo online” para toda a nação brasileira, a qual é gerada pela insuficiente mobilização do Governo Federal para democratizar o alcance, além do elevado custo dos artifícios necessários à utilização.
Desde 1988, a internet é uma realidade no Brasil, utilizada somente para fins estatais. Em 1995, a mesma foi liberada para quesitos comerciais, assim iniciando a disparidade, uma vez que foi e é um produto pago. Como supracitado, é indispensável o uso da internet para ações básicas, como aprimoramento da educação e serviços governamentais, por exemplo, a própria inscrição do ENEM, entretanto, essas funções não são possíveis para mais de 46 milhões de brasileiros que não têm esse acesso, conforme o IBGE 2018. Mesmo que o Brasil ocupe 88° posição em aquisição pelos cidadãos, de acordo com o InterNations, a medida declarada foi a continuação do ensino à distância em meio a pandemia, embora 42% das casas não possuem um computador, segundo o TIC 2018. Dessa maneira, o contato com a informação também é afetado, assim reforçando os princípios do sociólogo Felipe Silva, cuja ideia menciona a permanência da desigualdade por conta da inocência das pessoas.
Outrossim, a questão de renda não pode ser desconsiderada nessa discussão. Em um país em que 16,5 milhões de famílias vivem com um salário mínimo, em concordância com o IBGE 2019, é inconsistente o acesso à internet depender de um aparelho tecnológico com o plano custar 250 reais, conforme o Technoblog. Além disso, é de extrema importância levar em consideração o letramento digital, visto que se não houver o treinamento de como utilizar esses mecanismos, o acesso não é concluído, problema enfrentado pelo projeto criado no governo Lula, “Computador para todos”, o qual oferecia preços subsidiados.
Neste contexto, medidas são necessárias para amenizar o impasse. À vista disso, o Governo Federal, juntamente das empresas responsáveis pela distribuição da internet, deve disponibilizar torres de sinal gratuitas nas regiões com menor acesso, por meio de um leve aumento nos planos de assinantes, assim alcançando o maior número de pessoas. Ademais, o Ministério da Ciência e Tecnologia, com auxílio do Poder Executivo, deve construir centros que ofereçam celulares sem custo e profissionais que ensinem o manuseio e otimização do uso, por meio da destinação de maior parcela de seu orçamento público. Com isso, a mundialização do capitalismo incluirá toda a população.