O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 19/05/2020

Neste ano, com a pandemia do coronavírus, uma porção da população se juntou em uma campanha chamada “adia ENEM”. Mas, com essa campanha houve divisão de opiniões, afinal um grupo defende a permanência do exame com o argumento de “quem quer estuda”. No entanto, esse pensamento fere os direitos humanos, que defende a igualdade da população. Afinal, como manter um exame se de acordo com o IBGE, uma em quatro pessoas no Brasil não tem internet? Além do mais, o ensino à distância enfrenta outros problemas, como a falta de estrutura tanto para o professor, quanto para o aluno.

Primordialmente, com o avanço da pandemia as desigualdades se tornaram mais visíveis, pois alunos de rede particular estão tendo aulas todos os dias com qualidade de ensino. Visto que a educação pública já estava sofrendo com a falta de estrutura de ensino presencialmente, no momento em que o ensino a distância se tornou essencial para o  cumprimento do cronograma anual, houve além da falta de estrutura um aumento nas desigualdades de ensino. Afinal, de acordo com o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, cerca de 42% da população não tem computador; 63,4 milhões de pessoas não tem internet,  como citado anteriormente, ou seja, os estudantes não tem infraestrutura mínima para o ensino á distância.

Outrossim, o descaso com esses alunos foi piorado quando o MEC anunciou a permanência do ENEM 2020, cuja propaganda tinhas frases como “Estude aonde estiver” e citando meios de ensino como “livros e internet”. Porém como o aluno irá se preparar para o exame se bibliotecas estão fechadas e não há internet fixa disponível? Além do mais, o ensino á distância exige um grau alto de concentração e autonomia. Porém, no Brasil é comum que jovens cuide de seus irmãos mais novos e da casa enquanto seus pais estão trabalhando, com a pandemia esse cenário se agravou, ou seja, além do jovem se preocupar com a sua educação, ele precisa ajudar na educação dos seus irmãos, o que torna o ensino a distância cada vez mais inviável. Então, aonde está a igualdade ao manter um exame que está aumentando desigualdades para o acesso ao ensino?

Contudo, é importante analisar que o Brasil não têm infraestrutura para ter um ensino a distância de qualidade, os planos de internet são caros e nem todos os alunos tem computador. No entanto, o governo parece não se preocupar com essas pessoas que não terão estrutura de aulas a distância e meios iguais de fazer o ENEM. Portanto, após a pandemia é necessário que o governo, com a ajuda de faculdades, favoreçam a entrada de empresas de tecnologia e desenvolvimento de internet pública no país, tornando assim, o acesso á internet mais facilitado a todas as classes.