O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 26/05/2020

No livro “A República”, escrito pelo filósofo grego Platão, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que as adversidades do acesso à internet apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de Platão. Esse cenário antagônico é fruto tanto da desigualdade social escolar, quanto da precariedade da conexão com a internet. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a precariedade do acesso à internet deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, 70 milhões de brasileiros têm acesso debilitado à internet na pandemia do coronavírus, ou seja, dificulta nas integrações educacionais a implementação EaD (Educação a distância). Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a desigualdade social como promotor do problema. De acordo com a pesquisa TIC Domicílios 2018, lançada em meados de 2019, 85% dos usuários de Internet da classe D e E acessam a rede exclusivamente pelo celular, 2% apenas pelo computador. Partindo desse pressuposto, classe social de baixa renda apresenta maiores dificuldades na inclusão das atividades online. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a desigualdade social contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o aumento da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a inacessibilidade da internet, necessita-se, urgentemente, que o governo direcione capital que, por intermédio das instituições de ensino, será revertido em aquisição de modens de internet móvel, disponibilizando-os para famílias com baixa renda. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da falta de conexão com a internet.