O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 23/05/2020

Na obra cinematográfica “Parasita” é apresentado a família de Kim, composta por um casal de desempregados e dois filhos que vivem em um imóvel semi-subterrâneo em uma zona marginalizada e perigosa da cidade. Ademais, os personagens enfrentam o conflito entre as classes sociais, bem como, a falta ao acesso à internet. Além da ficção, essa narrativa cabe perfeitamente no contexto contemporâneo, tendo em vista que a população brasileira enfrenta a falta de alcance à web e a desigualdade social.

Primeiramente, é importante destacar que a Lei do Marco Civil da Internet é uma norma que regula o uso da internet no Brasil com o objetivo de definir garantias, direitos e deveres para o uso da rede no território nacional. Entretanto, de acordo com o IBGE apenas um em cada quatro brasileiros não tem acesso à rede, esse dado manifesta que a nação apresenta um cenário heterogêneo, onde o índice de inclusão é extremamente deplorável, tendo em vista que hodiernamente as tecnologias tornaram-se indispensáveis, com uma gama de funções como o uso para trabalho, estudo, busca de informações e lazer.

Por conseguinte, é preciso destacar a desigualdade social como fator determinante do problema. Outrossim, os cidadãos de escassez de bens e recursos sofrem em maior proporção esse impasse. Os motivos para não possuir a aquisição de internet é a mais variada, seja pelos altos valores cobrados por empresas de telecomunicações ou pela inexistência de programas inclusivos, net gratuita e de qualidade. Deste modo, constata-se que a concentração do uso desse meio em áreas privilegiadas economicamente, fere os princípios constitucionais e impede a democratização do acesso a esse objeto de pesquisa.

Em suma, verifica-se então necessidade de ampliar o acesso à internet no Brasil. Para isso, cabe a iniciativa privada, em parceria com os estados e municípios, promover projetos de inclusão social para garantir a circulação da web em todas as áreas do polo nacional e, também, a redução dos custos para o consumidor de baixa renda, incentivando, então, o consumo e uso desse espaço. Além disso, é responsabilidade do Ministério da Comunicação estabelecer um canal de diálogo mais efetiva com a população, por intermédio de divulgação midiática e das redes sociais interativas, para que denúncias e reclamações possam ser realizadas. Talvez, assim, seja possível tornar democrático o acesso à internet no Brasil, diferente do que é representado na obra “Parasita”.