O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 23/05/2020
Na década de 50, o mundo tornou-se globalizado, com distâncias menores entre culturas e línguas distintas, além disso, a informação poderia ser obtida de maneira rápida e fácil, possibilitada com o advento da Internet. Contudo, na atual conjuntura brasileira, o acesso a estas redes tecnológicas é limitado e não abrange de forma holística a população, devido principalmente, a discrepâncias socioeconômicas e como consequência desta problemática, contribui para a carência educacional e cultural. Dessa forma, é imprescindível que o Ministério da Ciência crie programas de integração para diminuir estes contrastes.
Observa-se, em primeira instância, que o restringimento de uso ao espaço virtual é alavancado, sobretudo, pela história brasileira e suas desigualdades socioeconômicas. Logo, a injustiça secular divide o Brasil em dois países distintos: o dos privilegiados em oposição aos despossuídos, conforme o escritor Ariano Suassuna. Nesse sentido, no cenário nacional, a segregação de classes seleciona as oportunidades disponibilizadas, e o acesso à internet com sua grande importância social se estabelece a determinado grupo. Por isso, torna-se indubitável que esta realidade problemática seletiva e desproporcional necessita de mudanças estruturais.
Em segunda instância, vale ressaltar a principal consequência do uso segregacionista da internet: maior dificuldade no alcance de informações educacionais e culturais. Nessa perspectiva, o filósofo Pierre Lévy – um dos grandes expoentes do estudo da Cibercultura – defende que o espaço virtual deve ser utilizado com inteligência coletiva, com a democratização do conhecimento humano. Porém, de maneira discriminada, este direito é negado para a camada carente da sociedade, que não possui os mecanismos para a aquisição de palestras, aulas, isto é, conteúdos virtuais. Logo, a tecnologia atualmente, de forma inadequada, não alcançou o objetivo de abranger conhecimento para a população em sua totalidade.
Evidencia-se, portanto, para o Brasil não mais estabelecer contrastes e diferenças sociais quanto a disponibilidade ao uso da internet. Faz-se relevante e indispensável que o Ministério da Ciência, estabeleça programas como, maior disseminação de bibliotecas públicas nas cidades, com quantidade satisfatória de computadores conectados a rede, principalmente, em regiões interioranas, além disso, estabelecer junto a esta criação projetos pedagógicos de aprendizagem aliada a tecnologia. Certamente, com políticas do gênero, o conhecimento deixará de ser estratificado e restrito, para tornar ampla e universal a ideia defendida por Pierre Lévy.