O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 24/05/2020

A Constituição Cidadã de 1988 em um de seus artigos diz que a educação é um direito garantido pelo Estado e que ele deve promover e incentivar o pleno desenvolvimento dos estudantes. Ou seja, em tese todos os brasileiros deveriam ter igualmente o acesso à educação. Infelizmente, na prática, o governo não busca garantir a igualdade educacional. Durante a pandemia causada pelo coronavírus, por exemplo, os governantes optaram por dar continuidade ao ano letivo por modalidade virtual. Tal ato  só aprofunda o abismo de desigualdades no Brasil, visto que não são todos que têm acesso à internet, tecnologias para assistir às aulas e outros itens que seriam necessários.

Antes de tudo, vale ressaltar que as disparidades no aprendizado entre os que possuem recursos e os que não dispõem desses, têm uma de suas raízes no sistema capitalista. Desde a consolidação do capitalismo no século XIX, com a Segunda Revolução Industrial, os filhos dos proletariados trabalhavam desde crianças para ajudar a família e os dos burgueses iam estudar fora ou tinham diversos professores à disposição. É notável que apesar de dois séculos terem se passado e a educação democratizada, as crias dos que ganham pouco tem acesso apenas à uma educação pública de péssima qualidade e as dos burgueses têm infinitas possibilidades de alto nível para estudarem.

Consequentemente, a distância entre os ricos e pobres se tornam cada vez maior. E medidas governamentais como a de permitir o ensino à distância (EAD) num momento em que, segundo a “Folha de São Paulo”, 12% de brasileiros perderam suas fontes de renda e que, de acordo com A “Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua”, um em cada quatro brasileiros não tem internet só aumenta essa distância. Ademais, o processo de aprendizagem é complexo e não requer apenas assistir à vídeo aulas ou ler, há muitas etapas que o sistema educacional brasileiro não demonstra para seus alunos. Nesse sentido, nem mesmo aqueles que poderiam estudar não estão preparados para encararem um ensino que não seja guiado.

Percebe-se, portanto, que medidas são necessárias para impedir o avanço dessas discrepâncias. É fundamental que o Ministério da Educação faça uma parceria com o Ministério da Tecnologia e distribuam tablets com internet para a população estudante. A distribuição seria anunciada pela mídia, e nos bairros das cidades teriam pontos de fornecimento, nos quais os responsáveis das famílias iriam com os documentos necessários para que as condições socioeconômicas fossem analisadas. Além disso, haveria um portal no qual os professores se comunicariam diretamente e diariamente com seus alunos, e os guiariam na missão de aprender. Dessa forma, cada vez mais pessoas teriam acesso ao EAD, as diferenças diminuiriam e o direito assegurado pela constituição seria minimamente respeitado.