O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 24/05/2020

A Terceira Revolução Industrial, que ocorreu em meados do século XX, proporcionou que a sociedade transitasse da era Industrial para era Digital, uma conjuntura que introduziu grandes impactos na vida do ser humano, principalmente, ao analisar a disseminação da internet na sociedade. No entanto, nota-se que no Brasil há uma desigualdade no acesso a esse meio, isso ocorre tanto pela a omissão do Estado em efetivar as suas leis, mas também pela indiferença da sua população aos problemas existentes no tecido social.

Em primeiro lugar, de acordo com o filósofo Henrique de Lima, a modernidade se assenta em um enigma, de uma civilização tão avançada em suas razões teóricas e tão primária em suas razões éticas. Nesse sentido, é que percebe-se o cenário contraditório entre o acesso à internet, pois apesar da Organização das Nações Unidas configurar como um direito fundamental, nota-se que, no Brasil, a omissão do Estado em efetivar as suas leis, permite que 67% da sua população não usufruam dessa conquista social. Assim, em um governo que negligencia a ética, consente que uma parcela da sociedade ainda não viva plenamente a Terceira Revolução Industrial.

Paralelo a isso, esse cenário de segregação digital ecoa a “subcidadania” elucidada pelo sociólogo Jessé de Souza, pois essa, segundo o autor, ocorre quando os direitos são negligenciados tanto pela falta de ação do Estado, como já foi supracitado, quanto pela a indiferença da sociedade em geral. Ademais, esse desinteresse da população é fruto do sentimento individualista que impera no homem hodierno, haja vista que, conforme o filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade atual transferiu a ideia de progresso como melhoria compartilhada para a sobrevivência do indivíduo. Consoante a isso, a omissão da sociedade impossibilita a promoção da igualdade no acesso à internet no país.

Portanto, para que haja um ambiente que promova a inclusão digital no país, é necessário uma nova postura do Estado. Diante disso, é preciso que o governo, mediante ao Poder Legislativo, fomente uma lei que disponibiliza uma parcela do Produto Interno Bruto para efetuar o acesso à internet na sociedade, como a construção de salas de computadores nos bairros, por exemplo, e, assim, permita que toda a população vivencie a Terceira Revolução Industrial. Outrossim, cabe à mídia desenvolver comerciais que demonstrarão que viver em sociedade é imprescindível que haja o altruísmo nas ações do ser humano, a fim de que desperte a população para as problemáticas existentes em sua volta. Assim, garantir-se-á a igualdade de acesso à internet na nação.