O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 26/05/2020
Na obra Utopia, do escritor Thomas More, é retratado uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto ao que o autor prega, uma vez que o acesso à internet pela sociedade brasileira apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da desigualdade social, quanto da omissão política em relação à problemática. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a desigualdade social brasileira deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais ocorrências. De acordo com a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado garantir educação, no entanto acaba sendo ilusório esse direito, já que praticamente metade da população não possui acesso à plataforma de ensino online. Devido à falta de atuação das autoridades, uma grande parcela da população brasileira encontra-se prejudicada em meio à pandemia do corona vírus, onde é de extrema importância ao meio virtual para não degradar o sistema educacional nesse período. Dessa forma, faz-se mister a reformulação da postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar que se o país permanece omisso diante da dificuldade de acesso à internet e sua perpetuação, entende-se o motivo de sua continuidade. De acordo com o pensador Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma as pessoas, sem ela tampouco a sociedade muda. Partindo desse pressuposto, é evidente a importância do conhecimento para transformar o mundo, principalmente no período da quarentena, onde muitos precisarão ter acesso ao meio virtual para continuar o ensino à distância sem prejuízos. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, posto que o estado estando omisso contribui para o perpetuamento desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a questão do acesso à internet no Brasil, necessita-se urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, órgão responsável pela formação civil, será revertido na compra de notebooks para os alunos com baixo poder de aquisição. Essa ação será feita através de pedidos dos pais à escola, que terão que comprovar a carência do meio virtual dos alunos e receberão o aparelho, de forma com que diminua a desigualdade social. Desse modo, acredita-se ser possível sanar essa entrave e quiçá, a coletividade alcançará a Utopia de More.