O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 29/05/2020
Um dos fatores primordiais para a compreensão do mundo no século XXI é a globalização; grandes distâncias foram encurtadas por meio de um clique e o acesso à informação e conhecimento se tornou muito simples. A grande responsável por tal revolução é a internet. Mas ela realmente está ao alcance de todo o mundo?
É comum pensar que sim, principalmente quando o indivíduo vive numa condição social privilegiada. No entanto, isso é cegar-se à realidade. Quarenta e sete milhões de brasileiros não têm acesso à esse recurso. Toda a diversidade de conteúdo disponível nele é privada dessa parcela da população.
Tal problema tornou-se nítido com a pandemia de COVID-19. A recomendação de isolamento social decretada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) alterou o contexto globalizado em que se vivia: viagens internacionais e o funcionamento de estabelecimentos não essenciais estão, agora, cancelados até segunda ordem. Diferentes meios foram encontrados para a solucionar problemas distintos, como o EaD (ensino à distância) para as escolas e o “home office” para os trabalhos. Em todos esses casos, é necessário o uso da internet. Mas que internet? Não há.
A desigualdade social conseguiu espaço para florescer ainda mais. Tanto os alunos que, no momento, não têm mais acesso a materiais de estudo, quanto os trabalhadores que perdem seus empregos são deixados para trás pela classe média-alta da sociedade, que cresce e faz vista grossa para tais problemas muitas vezes. O Brasil é a terra das “cegueiras”, onde canta a disparidade.
Os privilegiados poderiam abrir campanhas de auxílio àqueles necessitados, por meio de, por exemplo, doação de alguns meses de acesso à internet, ou mesmo o Governo promover uma melhor fiscalização do cumprimento da quarentena em cada cidade, para que logo o cotidiano dos cidadãos volte ao normal: sem tanta dependência do meio virtual.