O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 31/05/2020

Martin Heidergger, filósofo alemão, alertou, em 1950, contra uma crescente ‘‘maré de informação", que cativaria a atenção de uma forma que o pensamento computacional seria uma maneira prevalente de pensar. Prova disso, é a importância, na contemporaneidade, de analisar a questão do acesso à internet no Brasil. Essa situação, desse modo, evidencia a não consonância perante os direitos constitucionais e a realidade exposta, além de reverberar a segregação social como uma ferramenta que inviabiliza o ingresso de todos aos avanços tecnológicos.

Em princípio, no " Enigma da Modernidade", Henrique de Lima explicitou que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. Tanto que pode-se realizar um paralelo entre a Constituição Cidadã- a qual estabelece que todos possuem o direito ao acesso à informação- e a realidade exposta, a qual demonstra que boa parte da população não está conectada aos avanços científicos-informacionais, seja pelo índices do IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas- que comprovam que um em cada quatro brasileiros não possuem acesso à internet, seja pela falta de vontade política de mudar esse panorama. Dessa maneira, pode-se afirmar, certamente, que não há consonância ante os direitos explicitados na Carta Magna e a realidade factual.

Outrossim, Milton Santos, geógrafo brasileiro, afirmava que a globalização é uma fábula, uma vez que as benesses do desenvolvimento econômico são destinados aos mais abastados. Ao passo que, no documentário " A Globalização, vista do lado de cá", Milton demonstra que a partilha das riquezas não é equitativa. Nesse contexto, insere-se a questão do acesso aos avanços tecnológicos, em um cenário, portanto, socialmente desigual. À vista disso, pode-se afirmar, intuitivamente, que a segregação social é uma ferramenta que colabora, notadamente, para que o acesso à internet, no Brasil, não seja realizado de forma plena por todos os cidadãos.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo desenvolva programas sociais, por meio de verbas governamentais, com o intuito de que todos tenham acesso à internet. Assim, é imprescindível que esses programas contenham ações que visem disponibilizar computadores conectados via rede, mediante a construção de centros de acesso à internet em comunidades carentes, além de realizar um mapeamento das escolas públicas que não possuem internet e, a partir disso, disponibilizar o acesso. Dessa forma, mitigar-se-á esse emblema no tecido social brasileiro.