O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 31/05/2020
O sociólogo Émille Durkheim afirmou que a sociedade pode ser comparada a um corpo biológico devido ser composta por partes que interagem entre si. Sob esse viés, para que esse organismo seja igualitário e coeso, torna-se necessário combater os abismos sociais enraizados, como o acesso a internet de forma desigual, acarretando reflexos em diversos âmbitos coletivos. Dessa forma, há uma dificuldade maior para o uso da educação à distância por indivíduos oriundos de classes mais baixas, em razão do custo, proporcionando a segregação e dificuldades ao ingresso do mercado de trabalho.
Mormente, o processo de Globalização, iniciado após a Guerra Fria, possibilitou mudanças significativas na dinâmica social, principalmente no âmbito educacional, pois aumentou o alcance do conhecimento com uso de plataformas onlines. No entanto, essa ação não ocorre de maneira igualitária, uma vez que o acesso a internet é restrito a parte da população com renda alta - um em cada quatro brasileiros não tem- conforme o IBGE, acarretando a segregação de indivíduos de classes mais baixas. Consequentemente, há reflexos no crescimento da nação, pois a educação à distância serve como um complemento no ensino básico, necessitando romper as barreiras das desigualdades.
Ademais, a persistência de problemas estruturais torna todo esse ideário utópico, refletindo no mercado de trabalho. Segundo o geógrafo Milton Santos, o Brasil vive o paradoxo da globalização perversa, pois ao invés de promover avanços sociais, acaba por potencializar a segregação socioespacial, violando os direitos básicos. Logo, a questão do acesso a internet intensifica as diferenças coletivas enraizadas no país, em razão da formulação de um abismo, enquanto um determinado grupo usufrui os benefícios do uso da internet, principalmente no viés dos estudos, outros ficam a margem das informações mundiais. Desse modo, torna-se fundamental combater tais diferenças a fim de assegurar o princípio de igualdade da Constituição de 1988.
Dessarte, a internet é essencial para realização de diversas atividades, principalmente no cenário educacional, mas o acesso ainda ocorre de maneira desigual. Diante disso, o Estado, na figura do Poder Legislativo, deve promover a elaboração de um projeto de lei, de caráter emergencial, o qual busque investir em laboratórios e centros de informática em escolas e em comunidades de baixa renda, por meio do subsídios governamentais e parceria com projetos socioeducativos. Isso também pode ser feito com a disponibilização de cursos técnicos gratuitos a indivíduos de classes mais baixas. Por fim, essas medidas têm o objetivo de romper as desigualdades e proporcionar uma sociedade igualitária e coesa, conforme Durkheim.