O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 03/06/2020

Ao encontrar o Brasil, os portugueses passaram a viver em um mundo muito maior do que pensavam estar. Analogamente, foi assim com a popularização do mundo cibernético, porém, no âmbito do conhecimento e inter-relações comunicativas. Apesar de o acesso à internet ser comum nas grandes metrópoles, em lugares isolados ela ainda é um objetivo a ser alcançado, seja para a democratização do conhecimento ou para o desenvolvimento econômico brasileiro.

Em prelúdio, é importante ressaltar, a desigualdade social gerada pela ausência de centros de informática que permitam os cidadãos ter contato com a rede mundial de computadores. O filósofo grego Platão, em seu ‘‘Mito da caverna’’, mostra como a falta de informações restringe e delimita o compreendimento do mundo, de modo que aqueles que estão fora da caverna tem oportunidades de conhecer e ter uma vida confortável. Esse fenômeno, se espelha atualmente nas condições vividas pelas regiões mais afastadas, como em comunidades ribeirinhas na Amazônia, visto que além do isolamento geográfico enfrentam também o isolamento do mundo, logo, a má qualidade de vida bem como o não desenvolvimento intelectual, impede-os de alcançar empregos que necessitam de qualificação.

Em segundo plano, outra consequência gerada pela ausência de redes digitais em locais longínquos no Brasil, se encontra o retardo na velocidade do aumento econômico nacional. Após a 2º guerra mundial, o Japão redirecionou todo o investimento que seria para artigos bélicos, em criação de tecnologia, o que em poucas décadas se desencadeou numa das economias mais eficientes do mundo pela educação exemplar oferecida, à exemplo o método kumon, conhecido popularmente no Brasil. Portanto, é fácil perceber que, quanto mais mão de obra especializada e desenvolvida intelectualmente um país possui, mais lucratividade se adquire, justamente pela criação científica de pesquisas e novos equipamentos digitais.

Em suma, é papel do governo, intermediado pelo Ministério da Educação, começar a construir centros de informática comunitários, por meio de investimentos que mantenham uma boa manutenção técnica, a fim de que as regiões carentes de informação possam ter a oportunidade de obter qualificação profissional. Desta maneira, será sanado o deficit educacional, além de contribuir para a economia brasileira pela nova formação de trabalhadores bem qualificados. Portanto, tal intervenção do governo, similar à atitude nipônica, permitirá a essas regiões ‘‘sair da caverna’’ e descobrir um novo mundo, como os primeiros colonizadores portugueses.