O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 02/06/2020

A constituição Federal de 1988 - órgão de maior norma no sistema jurídico - assegura a isonomia a todos. No entanto, a desigualdade do acesso à internet no Brasil evidencia a inobservância desse direito, uma vez que a indisponibilidade desse recurso afeta diversos setores da vida de milhões de indivíduos diariamente. Nesse sentido, é conveniente analisar as principais consequências da não democratização dessa ferramenta no tecido social brasileiro.

Em primeira análise, é importante destacar que, apesar do uso ser majoritariamente voltado para as redes sociais, a comunicação não é a única afetada na ausência desse aparato tecnológico. De acordo com G1, 75% dos brasileiros acessam a internet. Entretanto, os períodos de crise, como a do novo Coronavírus, revelam que dados como esse não são suficientes para a afirmar que sua utilização é igualitária. Por conseguinte, com a necessidade de distanciamento e a ascensão do modelo educacional EAD, milhares de estudantes tiveram seus estudos prejudicados, o que ratifica ainda mais que os meios comunicativos não possuem o monopólio dos impactos gerados por essa problemática. Dessa forma, para que esse cenário seja superado, é imprescindível que haja mudanças.

De outra parte, denotam-se as adversidades que o inacesso à rede de computadores provoca no compartilhamento de informações em momentos críticos, tais como a pandemia da Covid-19. Conforme propõe Émile Durkheim, a sociedade é um organismo vivo, em que as partes integrantes contribuem para o funcionamento do todo; logo, se um vai mal, o todo entra em colapso. Assim, com base na lógica do considerado pai da Sociologia Moderna, embora seu potencial informativo pudesse auxiliar na verificação de notícias a respeito da doença, as pessoas que não têm acesso a esses meios podem ser vítimas de fake news. Desse modo, é de suma importância que alterações sejam feitas nessa conjuntura.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para que o país seja, de fato, uma nação em que seus habitantes sejam tratados de maneira isônoma. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com os governos estaduais, deve promover olimpíadas e gincanas sobre as diversas áreas de conhecimento lecionadas, e oferecer notebooks e computadores como premiação, a fim de expandir a quantidade de alunos conectados. Não obstante, muito mais que possuir a aparelhagem necessária, é essencial que a internet esteja acessível a esses cidadãos. Assim, é de suma importância que a população questione o Poder Legislativo para que discutam a urgência da instalação de antenas em pontos estratégicos, com o propósito de beneficiar não só os discentes, mas também a comunidade que estará mais informada ao ter acessibilidade aos variados canais. Com essas ações, espera-se a atenuação desses impasses.