O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 06/06/2020
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Nesse verso do poeta Carlos Drummond, publicado na “Revista de Antropofagia” em 1928, é presente uma metáfora para desafios. À luz disso, concomitantemente a essa citação, é certo que há um obstáculo notório na conjuntura brasileira: a limitação do acesso uniforme à internet pelo corpo civil, que é maléfica não só por reafirmar as desigualdades sociais, mas também pela limitação de oportunidades.
Antes de tudo, o domínio do uso tecnológico e seus atributos se tornou uma ferramenta essencial, hodiernamente, para o desenvolvimento e o progresso das atividades pertinentes ao conhecimento. Assim sendo, de acordo com o sociólogo Karl Marx, em seu livro “A Ideologia Alemã”, a consciência do homem não determina o seu ser social, mas seu ser social determina a sua consciência. Desse modo, partindo dessa concepção, a parcela de indivíduos que não pode gozar da internet como aliada, principalmente os jovens, na realização de atividades como estudar, acessar trabalhos artísticos e interagir nas redes virtuais, por exemplo, acaba vivendo um “ser social” limitado à marginalização em um contexto desigual, o que deixa mais profundo o abismo de pobreza no território nacional. .
Ademais, é indubitável que outra razão inclusa no acesso de qualidade ao mundo digitalizado é o aumento de oportunidades. Com efeito, em seu trabalho “Fato Social”, o sociólogo Émile Durkheim, denomina as disparidades vivida pelas minorias como patologia devido a sua distorção com o que é normal em uma sociedade. Nessa perspectiva, se torna danosa para as pequenas parcelas excluídas a restrição nos campos de atuação virtual, a citar a possibilidade de cursar aulas gratuitas de idiomas ou ensino superior, qualificações indispensáveis no cenário pós-moderno para se obter um espaço no mercado de trabalho. Logo, se torna estacionária a mobilidade dos pouco favorecidos, sobretudo, pela falta de qualificação que a internet pode disponibilizar.
Infere-se, dessarte, que essa realidade precisa ser mudada no Brasil. Em suma, o Governo Federal, em parceria com os municípios, deve agir para diminuir o agravamento das desigualdades entre os tecidos e equilibrar a oferta de possibilidades, por intermédio da implantação de uma internet comunitária , com a instalação de pontos de transmissão estratégicos para obter maior alcance. Além disso, é necessário ser ofertados canais de acesso, por meio de salas de estudos que funcionem todos os dias, dotadas de equipamentos necessários, como computadores, para atender a população destituída de aparelhos eletrônicos. Com o intuito de disponibilizar melhorias para a população afetada. Somente assim, será possível tirar essa pedra do caminho.