O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 08/06/2020
O filme infantil da Disney WiFi Ralph retrata um universo tecnológico, no qual grande parte da população tem acesso à modernidade dos veículos de dados virtuais. De maneira contrária, no contexto hodierno, o acesso à internet no Brasil revela-se excludente e antidemocrático. Logo, é possível inferir que as desigualdades econômicas segregam os indivíduos de classes mais pobres dos benefícios culturais presentes no ambiente virtual, como a educação à distância.
Precipuamente, a distribuição de renda é o principal fator contribuinte para a democratização do acesso à internet. Contudo, o portal G1 de notícias retrata que o Brasil está entre os 15 países com pior classificação no parâmetro de Gini - índice que apresenta o grau de concentração de renda por localidade. Diante disso, é possível afirmar que os mais pobres representam a grande parcela da população prejudicada pelo contato insuficiente com a tecnologia, pois não conseguem adquirir produtos como computadores, realidade essa ainda mais evidente entre os brasileiros. Sobre isso, é válido afirmar, assim como o fez jornalista George Orwell, que a desigualdade econômica é o principal empecilho para a consolidação da democracia, inclusive a tecnológica, no Brasil.
Ademais, a educação a distancia limitada ou inexistente é causada pelas desigualdades no contato com a internet. Sobre isso, o geógrafo brasileiro Ruy Moreira analisa que vivemos sob efeito da modernização oriunda da Revolução-Técnico-Científico-Informacional. Nesse contexto, depreende-se que os métodos de ensino têm se inovado cada vez mais e todas as classes econômicas têm direito aos benefícios contidos nessas inovações, pois a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 reguarda igualdade entre os indivíduos e pleno acesso à educação, independente do poder aquisitivo individual.
Destarte, é imprescindível que medidas sejam tomadas para atenuar as heterogeneidades econômicas entre a população e garantir o pleno acesso às vantagens do mundo virtual. Para tal, é imperativo que o Ministério da Economia, em parceria com empresas desenvolvedoras de internet, desenvolva programas de assistência e inclusão digital, através de bolsas e auxílios financeiros direcionados à famílias carentes, afim de democratizar o contato cibernético necessário para melhores experiências educacionais e culturais. Assim, será possível que a igualdade no contato com os aparatos modernos não se resuma a contos infantis.