O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 16/06/2020
Segundo a Declaração do Milênio, promulgada pela ONU, em 2000, cada país deve se comprometer a promover o progresso da humanidade por meio de metas, sendo uma delas a democratização do acesso à internet. Contudo, apesar do Brasil figurar como membro signatário, é notória a quantidade de cidadãos encontrados em uma verdadeiro “apartheid digital”. Problema responsável não apenas por uma situação de marginalização social, mas que impede, ainda, o pleno desenvolvimento da cidadania.
De acordo com o geógrafo Milton Santos, existe um despotismo de informação, em que os espaços que concentram as tecnologias subordinam outros com menor acesso às redes imateriais. Isso explica as desigualdades existentes entre as regiões do países, já que os estados do Sul e Sudeste têm melhores índices de inclusão digital em relação aos outros estados. Outro exemplo disso é o contraste entre os bairros ricos e pobres.
Em segunda estância, no âmbito social, desde a década de 90, a sociedade assistiu a uma notável expansão da internet e telefonia celular. Por meio das redes sociais e fóruns online, atividades como debates e cobranças políticas são realizadas, sendo inegável o papel dessas tecnologias de simplificar atividades cotidianas e expandir as potencialidades de cada indivíduo. Não obstante, diante de um mundo globalizado, é incoerente pensar que a inclusão digital é destoante no Brasil, a exemplo de Norte e Nordeste, regiões com índices de acesso correspondentes a 54,3% e 52,3%, respectivamente, inferiores à média nacional de 70%.
Ademais, cabe pontuar que tal realidade é responsável, também, por inúmeros impactos sociais negativos. Visto que, ao impedir o acesso à conexão global às camadas menos favorecidas economicamente, acaba-se por restringir o direito social à expressão das mesmas. Nesse sentido, segundo o sociólogo de mídia Nick Couldry, em sua tese de desigualdade à voz, negar a expressão das minorias as relega à invisibilidade, o que resulta, por conseguinte, na ruptura da democracia e no alargamento das desigualdades sociais.
Em suma, cabe ao governo realizar investimentos na área de infraestrutura, sendo fundamental o ensino de informática nas escola e cursos gratuitos, assim como instalação de redes de internet pública e oferecimento de computadores com baixo custo. Afim de que o acesso à internet no Brasil seja ampliado e favoreça todos.