O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 15/06/2020

O advento da internet após o período de industrialização alterou as configurações sociais, ocasionando uma maior facilidade quanto à comunicação. No entanto, o acesso ao bom e pleno funcionamento dela ainda é limitado a alguns setores, o que dificulta a realização na prática do que é exposto teoricamente na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), quando garante a todos os indivíduos o direito ao Eixo Social - igualdade ao acesso à internet - e ao bem-estar social. Dessa maneira, a exclusão social, bem como a falta de igualdade de oportunidades, são aspectos que precisam ser analisados no cenário atual.

A princípio, José Saramago, em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, salienta a alienação da sociedade frente às demais realidades sociais. Essa teoria exemplifica a sociedade atual, na qual, em sua maioria, preocupa-se apenas com o bem estar pessoal, não se valendo das necessidades externas ao ignora-las frequentemente. Dessa maneira, o acesso limitado à internet pode marcar a diferença entre classes sociais e reiterar a exclusão social, o que faz do acesso à tecnologia mais um indicar de desigualdade no país.

Outrossim, de acordo com IBGE, 46 milhões de brasileiros não tinham acesso à internet no Brasil em 2018. Hodiernamente, o país tem sido afetado pela pandemia do Covid-19 e, com isso, é necessário que a população fique em quarentena para diminuir a propagação viral. No entanto, para que o ano letivo das escolas, assim como aulas preparatórias para vestibulares e de faculdades não fossem afetadas, fez-se necessário que aulas “online” fossem ministradas. Contudo, essa estatística divulgada pelo IBGE, possivelmente cresceu nos últimos dois anos, tendo em vista que a desigualdade não diminuiu. Dessa maneira, a proposta dos governos de dar continuidade ao ano letivo por meio do EAD (ensino à distância) é um prenúncio de ampliação das desigualdades sociais, tendo em vista que grande parte dos estudantes não possuem acesso às aulas.

Torna-se evidente, portanto, que como forma de solucionar os problemas gerados pela falta de acesso à internet por parte da população, é preciso que Estado e Sociedade atuem em protocooperação. Cabe ao Poder Público ofertar o acesso à internet a todos os setores por meio do investimento adequado em plataformas que sejam acessíveis à população como um todo, para que a falta de acesso não perpetue ainda mais a desigualdade social no país. Além disso, é dever da Sociedade lutar pelo direito ao acesso à internet por meio de abaixo assinados e manifestações que exponham a desigualdade gerada pelo acesso limitado a ela, principalmente em momentos como a do isolamento atual, com o fito de que o direito garantido pela DUDH seja verdadeiramente ofertado.