O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 18/06/2020
Conforme pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) feita este ano, 25% dos brasileiros não utilizam a internet por diversos motivos mas, o principal deles é a condição financeira. Com isso, o acesso à rede no país foi colocado novamente em questão devido ao contexto pandêmico no qual o mundo se encontra, evidenciando o abismo econômico e social existente no Brasil retratado neste momento pela quantidade de pessoas que não podem custear um plano de dados razoável, assim como o déficit educacional de alunos da rede pública, por não estarem conectados.
Primeiramente, é importante registrar que de acordo com o Jornal da Universidade de São Paulo (USP), 7,4% dos brasileiros que se enquadravam nos requisitos para recebimento do auxílio emergencial liberado pelo Governo Federal, não puderam obter essa ajuda porque teriam que fazer a inscrição por meio de um aplicativo de celular que necessita de conexão com a internet. Ou seja, milhares de famílias foram obrigadas a ficar em casa devido ao isolamento social, sem qualquer ajuda de custo porque o próprio governo brasileiro excluiu essa parte da população - que em geral é a que mais precisa - , escancarando a diferença econômica do país. Enquanto as classe média e alta têm alguma fonte de renda para sobreviver ao caos, os pobres e informais ficaram com suas contas atrasadas e até mesmo passando fome ou, sendo obrigados a contrariar as normas e irem às ruas atrás do seu sustento, mesmo que isso lhes custasse a saúde ou a vida.
Ademais, a Lei de Diretrizes e Bases no artigo 3º assegura aos estudantes a igualdade de condições de acesso ao ensino, direito claramente ferido quanto aos alunos de escolas públicas. Embora algumas instituições tenham disponibilizado aulas em plataformas online, muitos não possuem aparelho para conexão com a internet ou se possuem, não têm condições de pagar um pacote de dados suficientes para ter a chance de estudar durante o tempo de isolamento. Somado a isso, foi desconsiderada a falta de preparação dos professores para lecionar com uma metodologia voltada ao ensino à distância para crianças e adolescentes.
Logo, por causa da pandemia, o acesso à internet foi posto em questão novamente no país, mostrando que 25% dos que não têm acesso à rede são frutos de uma negligência governamental. O auxílio emergencial poderia ser concedido automaticamente por meio dos registros de trabalhadores informais, desempregados ou daqueles que recebem algum outro tipo de benefício pela Caixa Econômica Federal, sem precisar excluir ou causar aglomerações. Quanto aos alunos da rede pública, a solução seria a transmissão de aulas pela TV Brasil, diariamente, com horários organizados de acordo com a série do aluno, sem que houvesse prejuízo do ano letivo.