O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 19/06/2020
O filme “O Nome da Rosa” retrata a censura da Igreja Católica, na Idade Média, a obras literárias. De modo análogo, dado o contexto atual, a censura persiste -de forma implícita- no meio cibernético, visto que, há uma disparidade ao acesso a internet, a qual boa parte da população tem esse direito subtraído. Sob esse viés, cabe analisar a omissão estatal como promotora desse problema o que resulta em lacunas sociais.
A princípio, a Constituição brasileira assegura “o direito ao acesso a informação” que deve ser atingido por todos, sendo assim, há uma negligência estatal ao não garantir o acesso ao ciberespaço as populações de baixa rentabilidade. Nessa perspectiva, a internet, além de propagadora de conhecimento, permite maior e melhor inserção do indivíduo no meio social e lhe dá o direito de exercer sua cidadania de forma plena. Entretanto, existe uma carência dos meios tecnológicos ou da própria internet por parte da sociedade o que restringe a oportunidade de ascensão intelectual e as possibilidades e facilidades variadas existentes nesse meio. Esse fato pode ser ratificado pelo Contrato Social teorizado pelo filósofo Jean-Jacques Rosseau, o qual afirma ser dever do Estado suprir as necessidades da população que é soberana, garantindo-lhes seus direitos e a harmônia social.
Segundo a filósofa Hannah Arendt, o mal banal é aquele que é praticado por um indivíduo, grupo ou instituição sem a consciência de que o ato cometido é ruim, essa banalização do mal é vista na sociedade atual, visto que, a limitação do direito a informação pelo Estado -devido à indisponibilidade da internet a todos os segmentos populares- provoca um mal a essa parcela da população. Essa realidade é evidenciada pois o meio cibernético possibilita a formação moral, cultural e intelectual de seus indivíduos por ser um meio bastante abragente, há o desenvolvimento de potencialidades e de conhecimentos que permitam o indivíduo ascender socialmente e serem mais críticos sobre o mundo. Dessa maneira, o mal banalizado faz com que o problema do acesso a internet seja deixado em segundo plano, pois é omitido os males que essa disparidade pode provocar as pessoas menos favorecidas e, assim, há o cerceamento do desenvolvimento pessoal e articulação desses indivíduos na sociedade.
Portanto, a internet como viabilizadora do conhecimento deve ser inerente à sociedade como um todo. Assim, a prefeitura municipal deve atuar em um projeto, o qual deve ocorrer a arrecadação de recursos da população para a liberação de redes wi-fi grátis em locais menos favorecidos, de modo a promover maior igualdade na sociedade .