O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 19/06/2020
Na obra “Utopia”, do escrito inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo e o meio social padronizam-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a falta de medidas que visam a propor a democratização do acesso à internet no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do descaso do poder público, quanto da própria desigualdade social não combatida.
A priori, é fulcral pontuar que ainda há, hodiernamente, um grande número de brasileiros sem acesso à internet no país. O problema deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais impedimentos. Segundo o pensador inglês Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Sob essa perspectiva, devido à falta de empenho das autoridades, regiões como Norte e Nordeste do país e cidades interioranas sofrem com essa exclusão digital por falta da própria infraestrutura. Alguns desses locais não tem sequer sinal, equipamentos ou maquinários que viabilizem esse acesso. Dificultando à essa parcela da sociedade, o desfrute de seu direito à informação e ao aperfeiçoamento de outros como a educação.
Ademais, é possível somar, aos aspectos supracitados, a desigualdade social como promotor do problema. De acordo com o filosofo chinês Confúcio, “Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros”. Partindo desse pressuposto, é notório a disparidade de recursos entre regiões. Há uma grande centralização de investimentos no sul e sudeste, quando se fala em equipamentos tecnológicos que viabilizam o acesso e a inclusão digital. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que uma boa parte da população de outras áreas do país tem sequer a possibilidade de adquirir um computador, celular, ou até mesmo pagar por um serviço que forneça o acesso à internet. O que é causa do problema em questão acaba sendo, além disso tudo, consequência, uma vez que, alguns vão ter privilégios em relação à outros, elevando assim, ainda mais, o abismo da desigualdade social.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que objetivem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve, juntamente ao Ministério da Infraestrutura ou Comunicações, levar às regiões e cidades do país menos favorecidas tecnologicamente, todo o aparato necessário para que o acesso à internet seja viabilizado, ou seja, antenas, redes, maquinários e até mesmo a energia elétrica, por meio de um redirecionamento de capital para estados e municípios, para, assim, promover a democratização do acesso à internet.