O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 14/06/2020
Segundo o teórico da comunicação Marshall McLuhan,o mundo se transformou em uma “aldeia global”. Nesse contexto,o desenvolvimento tecnológico permitiu a interligação e a comunicação imediata entre diversas pessoas. Contudo,observa-se que essa visão utópica ainda não representa a atual realidade,uma vez que milhares de brasileiros não possuem acesso à internet. Dessa forma,é necessário analisar a importância desse veículo para a formação humana e sua desigualdade como reflexo das disparidades sociais.
Primeiramente,é válido destacar que a internet se tornou um meio fundamental para o desenvolvimento do sujeito e para a afirmação dos seus direitos. Esse fato está diretamente relacionado às ideias do filósofo Foucault. De acordo com tal pensador,o homem é uma construção biológica,psicológica e social,sendo esses aspectos essenciais para a formação do caráter individual. Nesse sentido,essa ferramenta de conexão,ao permitir a democratização do acesso ao conhecimento,concretizou-se como uma nova plataforma educacional e de participação da comunidade. Sob essa perspectiva,esse veículo da comunicação,por possibilitar o rápido e fácil contato com informações,aspectos da cultura nacional e uma pluralidade na troca de opiniões,apresenta-se como uma ferramenta de luta social para a consolidação da dignidade humana.
Ademais,é importante citar que o acesso a esse meio de comunicação não ocorre de maneira igualitária,fato esse que representa um reflexo das disparidades sociais e econômicas do Brasil. Esse problema exemplifica o conceito de “globalização perversa” do geógrafo Milton Santos. Segundo esse especialista,o desenvolvimento das novas tecnologias foi responsável por intensificar as desigualdades. Nesse viés,apesar da sua importância para a formação dos sujeitos,os benefícios da internet se restringem apenas a uma determinada parcela da população,já que esse veículo apresenta entraves para sua democratização,como preços elevados e não acessíveis a todos. À vista disso,essa realidade afasta os grupos marginalizados da participação social,política e cultural que esse meio permite. Dessa maneira,essa exclusão dificulta a construção do senso crítico e a conquista dos direitos desses indivíduos,além de retardar a superação da assimetria do país.
Logo,para expandir os benefícios do acesso à internet,o Estado deve buscar minimizar as disparidades de contato ao meio virtual. Isso pode ser feito por meio da realização de projetos que,com o apoio de empresas de tecnologia,distribuam pontos de conexão gratuitos nas áreas mais carentes das cidades,além de instalar centros públicos que permitam o acesso da comunidade a dispositivos eletrônicos,a fim de possibilitar uma igualitária e plena formação dos indivíduos.