O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 18/06/2020

Segundo o géografo Milton Santos, a globalização é perversa tendo em vista que tem apenas o intuito de unir todas as partes do globo, no entanto, diversas regiões e condições sociais são ignoradas e não vivem o fenômeno efetivamente. Atualmente, no Brasil, de acordo com matéria do “G1” aproximadamente 46 bilhões de brasileiros não possuem acesso a internet. Tal perspectiva, faz-se questionar as condições de acesso a ferramenta no país, visto que, com o avanço da tecnologia passou a ser essencial. Nesse sentido, investimentos Federais ao acesso homogêneo e medidas de parceria público - privada são essenciais para a reversão do quadro.

Em primeira análise, é de suma importância a análise do baixo investimento governamental em acesso a tecnologias ao cidadão brasileiro. Durante a pandemia do coronavírus, surgiu um auxílio emergencial para beneficiar famílias carentes, contudo considerável parte do percentual não possui acesso a internet e o aplicativo para inscrição é feito por celular. Além disso, com o impedimento de aglomerações, escolas e universidades tem se adaptado ao ambiente virtual, no entanto em pesquisa realizada pelo Centro Regional de Estudos, aproximadamente 42% dos lares do país não possuem computador. O desenvolvimento do capitalismo e o surgimento de novas tecnologias têm modificado a forma de se viver, e ao impor novos métodos, ignora-se a realidade vivida por muitos em países subdesenvolvidos e cria-se mais uma forma de segregar a sociedade.

Em segunda análise, é fundamental a busca por investimentos entre empresas e o governo, a fim de garantir o maior acesso possível para a população brasileira. Ao monopolizar a venda do serviço a poucas e grandes empresas, garante-se uma liberdade de cobrança que taxa altos preços. A fim de promover o maior contingente de acesso é fundamental que essas empresas de serviço de internet proponham mensalidades sociais, cobrando valores reduzidos a famílias carentes, fazendo com que o serviço chegue homogeneamente, com o mínimo de restrição de classe. De acordo com dados do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia, desde o início da quarentena houve um aumento de 30% no tráfego do país, provando a necessidade cada vez mais crescente pelo serviço no país.

É mister, portanto, que o Estado deve propor o avanço da tecnologia através de investimentos públicos, seja diretamente através da criação de um benefício específico, seja pela parceria público - privada, isentando fiscalmente empresas que criarem pacotes sociais de internet. Através do programa: “Internet é direito”, criar pontos comunitários de acesso a internet em locais públicos como praças, teatros e parques. Assim, poderemos nos distanciar da globalização perversa estudada por Milton Santos, e que una realmente todas as partes do globo terrestre.