O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 18/06/2020

Visando acompanhar o grau de modernização de países desenvolvidos, o prefeito Pereira Passos iniciou uma série de reformas urbanas e sanitárias na capital do Brasil, no início do século XX. Esse projeto teve como resultado à cidade dividida num polo desenvolvido e outro completamente marginalizado. Apesar da diferença temporal e contextual, hodiernamente, o País, como um todo, encontra-se bipolarizado quando à questão é o acesso à internet. Essa situação, não só alastra os níveis de atraso nacional, como também violenta simbolicamente os brasileiros, que não conseguem acessar essa forma de tecnologia, aumentando a desigualdade social.

Nessa perspectiva, a rapidez com que se move o mundo tecnológico torna-o uma excelente ferramenta para o desenvolvimento nacional, mas o acesso não igualitário inverte a situação, o que culmina nos baixos níveis de inovação, na escassez das informações, que chegam ao cidadão, na educação de baixa qualidade e, consequentemente, poucos profissionais qualificados. Nesse sentido, já dizia o empresário norte-americano, Steve Jobs, o que distingue um seguidor de um líder é a inovação. Logo, fica nítido que o Brasil não pode sair do seu quadro atual sem inovações e para isso é preciso que o estado cumpra com seu dever de proporcionar o uso igualitário das novas tecnologias.

Além disso, a desproporção no acesso à internet é um empecilho crucial para que haja cidadãos com uma formação de boa qualidade e outros às margens deles. Isso pode ser explicado pelo teórico Pierre Bourdieu, o qual afirma que todas as minúcias de um indivíduo constituem simbologias que são constantemente analisadas pelo copo social, ou seja, as características pessoais, o poder de compra e o acesso a bens e serviços reflete quem é a pessoa para outrem. Assim, a bipolarização do acesso à internet no Brasil violenta simbolicamente aqueles que não conseguem desfrutar do mesmo, aumentando a desigualdade social.

Portanto, diante da discrepante acessibilidade à internet em território brasileiro é preciso que o governo proporcione acesso igualitário aos indivíduos. Isso deve ser feito por meio de um projeto onde, primeiramente, profissionais sejam contratados para mapear a situação atual de acesso nas regiões do país, baseando-se nisso, disponibilizar aos estados a quantidade de equipamentos necessários e fazer melhorias nas redes de conexão de baixa qualidade. Logo após, os equipamentos devem ser disponibilizados, aos que não têm condições, em polos regionais e os mesmos devem ter acesso à internet gratuitamente, visando torna-la uma ferramenta de desenvolvimento nacional e proporcionar igualdade de oportunidades aos indivíduos. Assim, diferentemente do que ocorreu no século XX, o Brasil poderá emergir por completo e abandonar seu histórico de bipolarização do acesso a bens.