O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 19/06/2020
Segundo a Organização das Nações Unidas, o acesso à internet é um direito humano do século XXI. Essa consideração é justificável, uma vez que na sociedade hodierna a maioria das informações relevantes ao cotidiano estão no mundo virtual. Entretanto, no Brasil uma significativa parcela da sociedade não tem usufruído desse direito contemporâneo.
Em primeiro lugar, é importante destacar a importância de possuir acesso à internet. Para o filósofo Pierre Lévy, no ciberespaço os indivíduos mantém um processo social de interação e debate, podendo lá ser gerada uma inteligência coletiva, que seria o desencadeamento e compartilhamento de ideias construídas coletivamente na rede, criando, por fim, uma cibercultura. Assim sendo, a presença no mundo virtual é fundamental para a plena exerção da cidadania, o que faz da exclusão digital também exclusão social. Ademais, a internet possibilita que a pessoa obtenha informações de diversas fontes, com diferentes pontos de vista antes de se posicionar quanto a determinado aspecto. Isso é bastante pertinente, visto que de acordo com o matemático e fundador da cibernética, Norbert Wiener, “ser informado é ser livre”.
No entanto, no Brasil o acesso à internet não é uma realidade de todos, pois além dos que dizem não ter interesse, muitos sofrem exclusão cognitiva e/ou financeira. Segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2020, um em cada quatro brasileiros não possui conexão ao mundo digital, sendo o desconhecimento quanto à como usar a rede o motivo apontado por 41,6% dos desconectados e a fata de condições financeiras a razão de 17,5% desses.
Portanto, é necessário que o Ministério da Ciência e Tecnologia em parceria com ONGs, promova a capacitação dos indivíduos que desejam aprender a usar a internet, por meio de minicursos que seriam oferecidos gratuitamente a essa população e lecionados por voluntários nos prédios de algumas escolas públicas federais em horário noturno, uma vez que é o mais disponível para pessoas que trabalham. Dessa forma, aqueles que não têm acesso à rede por não saber como usar receberiam um letramento digital básico e adequado, o que possibilitaria o uso. Em adição, o mesmo Ministério deveria também lançar planos de subsídio a computadores e a redes de internet, oferecendo barateamento na compra desses equipamentos e serviços de acordo com a renda do comprador, para que a exclusão digital por questões financeiras seja amenizada. Então, após a aplicação dessas medias, haveria um maior número de brasileiros aptos a exercerem seu direito humano.