O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 12/06/2020
Uma postura destituída de empatia perante o sofrimento alheio. Essa é a imagem presente no quadro ´´O grito``, do pintor Edvard Munch, pois, na elaboração dessa arte expressionista, vê-se, ao fundo da tela, personagens que se mostram indiferentes à angústia evidenciada pela figura humana do plano central. Entretanto, essa cena não se limita ao âmbito artístico, já que as vítimas da falta de democratização do acesso à internet no Brasil, tendo em vista que elas têm sido esquecidas por alguns setores governamentais e sociais. Sob essa ótica, cabe analisar os aspectos políticos e culturais que envolvem essa questão no país.
Primeiramente, pontua-se que o Poder Público mostra-se negligente ao não garantir o acesso à internet. Isso porque há, por parte dos órgãos executivos, uma ineficiência quanto ao processo de investimento financeiro, uma vez que faltam verbas para viabilização de uma internet de qualidade para todos, o que prejudica o acesso aos recursos tecnológicos, e por conseguinte, o direito à informação. Sendo assim, nota-se que o governo não tem promovido o bem-estar de todo o coletivo, demonstrando, dessa forma, a ausência de consolidação dos princípios fundamentais alicerçados nos ideais iluministas do século XVIII em prol da democracia.
Também, observa-se que o silenciamento social diante da falta de acesso à internet apresenta-se como fator agravador desse quadro negativo. Contudo, parte da população tem demonstrado certa inércia frente a esse cenário, por acreditar que são majoritários os segmentos políticos contrários à fiscalização estatal quanto a qualidade dos cursos que são oferecidos na modalidade da educação a distância (EAD), comprometendo, então, a boa formação dos estudantes desse modelo de ensino. Recorrendo aos estudos da cientista política Elisiabeth Noelle-Neumann para explicar esse fenômeno, constata-se que, para evitar conflitos com grupos dominantes, alguns indivíduos tendem a fortalecer uma espiral do silêncio, permitindo, assim, a manutenção de alguns entraves.
Ressalta-se, portanto, que o acesso à internet deve ser garantido. Logo, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, um maior investimento financeiro, priorizando verbas, a partir do Ministério da Economia, com o objetivo de fornecer o acesso igualitário e de qualidade aos recursos tecnológicos. Ademais, é essencial estimular a população, por intermédio de campanhas midiáticas produzidas por órgãos não governamentais, a respeito da necessidade de haver um maior engajamento coletivo para a ruptura de discursos dominantes, potencializando, assim, a fiscalização da qualidade dos cursos ofertados na EAD para uma boa formação profissional. Dessa forma, o grito - diferentemente do da obra de Munch - poderia romper o silêncio dos resignados.