O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 18/06/2020

No contexto político do século XV, o advento da Imprensa de Gutenberg significou uma drástica mudança no conceito de cidadania. Com base nessa alteração, ser um cidadão não se restringia, apenas, a participar das decisões políticas e parlamentares, mas também, ter a garantia do acesso às novas invenções culturais. Por esse motivo, para se obter a plena inserção do indivíduo na contemporaneidade, tal como nos anos da Imprensa, é preciso discutir sobre o acesso à internet como um fundamento para o corpo social e expandir para os domicílios brasileiros.

Primeiramente, cabe analisar o conceito de “ser cidadão” com a vinda da internet. Nesse viés, as “redes Wi-fi”, no Brasil contemporâneo, viraram sinônimos de conexão e acesso à informação, entretenimento e educação, visto que, por meio delas, as concepções de cidadania foram incrementadas com mais uma particularidade. Isso prova, assim, que essas concepções não são fixas, mas se alteram de acordo com os avanços do mundo globalizado. A partir dessa análise, o “racionalismo da dominação de mundo”, proposto pelo sociólogo Max Weber, diz respeito a racionalizar o espaço, isto é, o corpo cidadão, conforme o homem ganha “território” no manuseamento de novas habilidades, a exemplo da internet e seus caprichos.

Ademais, vale pontuar a importância de expandir tal conquista para as casas brasileiras. Desse modo, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, revelou que, embora o Brasil já tenha a capacidade de prover uma rede Wi-fi de qualidade, 25% dos cidadãos ainda não possuem o direito à internet efetivado em suas moradias. Outrossim, se o Brasil, caracterizado pelas bases democráticas do Estado de Direito, deseja inserir essa grande parcela da população nos meios de informação e conexão, deve garantir o acesso a essa benfeitoria a 100% dos integrantes do corpo social.

Nota-se, portanto, a urgência em propor medidas para resolver tal problemática. Para tanto, é necessário que o Ministério da Ciência e Tecnologia crie um programa intitulado “Web-cidadão”, o qual, por meio da contratação de cientistas da computação, mediante concurso público aberto duas vezes ao ano, instale redes públicas de Wi-fi de 10 megas, para cada família, nas comunidades carentes. Feito isso, não haverão indivíduos fora da plena cidadania no Brasil e, a exemplo de Gutenberg, todos estarão “conectados” e os direitos garantidos.