O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 18/06/2020
No início do século XX, com o processo de industrialização no Brasil, milhões de brasileiros saíram do campo rumo às cidades em busca de melhores condições de vida. Com isso, muitos passaram a morar em zonas periféricas, favelas ou se apropriar de terrenos de outrem, devido aos altos custos da cidade grande, acentuando, assim, a questão da desigualdade social, a qual é ainda gritante no país. Hoje, um dos grandes marcadores de desigualdade é o acesso à “internet”, uma vez que apenas parte da população tem acesso, de fato, a ela. Dessa forma, é válido analisar como o baixo acesso à “internet” contribui com o aumento de desigualdade, bem como com a falta de acesso à informação.
É importante observar, primeiramente, que embora, segundo o IBGE, aproximadamente 75% da população brasileira tenha acesso à “internet”, isso não significa que grande parte das pessoas usufrua de boa qualidade de sinal e quantidade suficiente para navegar. Isso se dá pelo fato de se precisar de determinada franquia de “internet” para que se possa acessar conteúdos como vídeos, notícias ou vídeoaulas. Assim, com a interrupção do ano letivo devido à pandemia de Covid-19, milhões de estudantes estão impossibilitados de assistir às aulas, tanto pela falta de tecnologia no sistema educacional, quanto da quantidade de “internet” disponível. Enquanto, em média, uma pessoa precisa de 1 gigabyte de “internet” para assistir a uma videoaula de 30 minutos, a realidade é que 50% dos estudantes possuem até 4 gigabytes mensalmente. Isso significa que apenas parte dos estudantes, realmente, poderão ter acesso às aulas, contribuindo, assim, com a grande desigualdade já existente.
Convém pontuar, ainda, que a limitação do acesso à “internet” interfere na obtenção de informações pela população, o que vai contra o que está estabelecido na Constituição Federal de 1988, a qual garante a todos os brasileiros o acesso à informação. Dessa forma, a ferramenta que seria capaz de amenizar as disparidades sociais do país, na verdade, contribui para a manutenção de uma sociedade sem consciência crítica. Isso confirma a visão do Economista Celso Furtado, ainda no século XX, para quem o subdesenvolvimento é uma estratégia para a permanência da estagnação social do brasil.
Nota-se, então, que o acesso à “internet” no Brasil se configura como mais um ponto de segregação social no país, já que uns têm acesso de sobra, enquanto outros precisam “pegar” o sinal do vizinho. Portanto, o Governo Federal, através da Agência Nacional de Telecomunicações, deve garantir a todos os brasileiros o acesso à “internet” de qualidade, por meio do desenvolvimento de tecnologias por satélite para a distribuição homogênea de sinal à todas as regiões do país. Além disso, o Estado deve ceder aparelhos e “chips” com “internet” àqueles que comprovarem não ter condições para obter tais produtos, a fim de que, finalmente, haja maior integração social e tecnológica no país.