O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 12/06/2020
No século XX, a Revolução Técnico-Científico-Informacional favoreceu o surgimento das tecnologias de ponta, como a internet. Entretanto, tais mudanças ficaram restritas nas classes dominantes e favorecidas economicamente, excluindo as comunidades carentes e dificultando o acesso às novas tecnologias. Sendo assim, pode-se entender que o baixo contato com a internet de uma parcela da população tem raízes históricas, além de que, solucionando tal disparidade, o uso das redes poderá influenciar de forma positiva o âmbito educacional brasileiro.
Em primeira perspectiva, a dificuldade em acessar a internet é mais uma consequência da desigualdade social, a qual perpetua há anos no Brasil. Sob a ótica do período do Populismo, nota-se o forte empenho de Juscelino Kubitschek em desenvolver a economia e a indústria brasileira, por meio do Plano de Metas. Entretanto, a mudança ocorreu apenas na alta sociedade, ou seja, excluindo grande parte da população e fortalecendo a ordem desigual, e sendo mais um dos amplificadores da discrepância social. Assim, na atualidade, a disparidade entre as classes continua presente, fazendo com que seja difícil para as comunidades carente o contato com as redes e a internet, por serem caras e privadas. Tal realidade foi demonstrada na pesquisa feita pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, apontando que 33% dos domicílios no Brasil não dispõem de internet e 58% não têm computador.
Em segunda análise, o aumento do contato com a internet favorece e desenvolve a educação brasileira de forma positiva. Segundo Mário Sergio Cortella, filósofo brasileiro, a mídia, proveniente da internet, funciona como corpo docente, isto é, as crianças estão submetidas ao constante contato com informações online, que dominam discursos e saberes mutáveis influenciando-as. Com isso, a internet, por exercer um poder de dominação e influência nos jovens, pode funcionar como canal de educação ao disponibilizar, muitas vezes, conteúdos gratuitos e informacionais. Logo, forma-se uma geração que já possui um amplo conhecimento, antes mesmo de entrar em contato com o ensino formal.
Portanto, nota-se que a desigualdade social e econômica, proveniente de contextos históricos, dificulta o acesso à internet, e o contato com tais redes ajudam na educação brasileira. Sendo assim, cabe ao Governo Federal, como organizador social e econômico, o desenvolvimento de projetos que distribuam e infiltre a internet nas comunidades carentes, por meio da instalação de pontos estratégicos de uma rede pública e de fácil acesso. Dessa forma, o acesso à internet seria algo coletivo e possível para as baixas classes. Além disso, cabe ao Ministério da Educação, mediador da educação, o investimento na rede educacional nas redes, por intermédio da criação de sites didáticos, atendendo de forma didática a população. Assim, poder-se-á aumentar o desenvolvimento intelectual do brasileiros.