O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 18/06/2020
A Guerra Fria, período de bipolaridade mundial, ficou marcada pelos significativos avanços tecnológicos e científicos.Tais evoluções possibilitaram a criação da internet, ferramenta que prometia a unificação e a aproximação das pessoas.Entretanto,diferente do esperado, o acesso à internet no Brasil é restrito e precário. Dessa forma, pode-se pontuar a desigualdade econômica como principal causa de tal problemática, possuindo a exclusão digital e o agravamento de disparidades como consequências.
De início, analisam-se as desigualdades econômicas do Brasil, as quais contribuem para o escasso acesso à internet. Nesse sentido, a realidade social brasileira contrapõe-se ao artigo 3º da Constituição Federal, que afirma ter como objetivo governamental a redução das desigualdades sociais e regionais. Isso porque, as disparidades econômicas, que chegam a 51% do total de renda, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, comprometem o acesso à internet pelas parcelas desfavorecidas da sociedade. Isso pode ser comprovado por dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em que um em cada quatro brasileiros não têm acesso à internet no Brasil. Assim, devido à negligência governamental com a concentração de renda brasileira, a distinção no acesso aos aparelhos tecnológicos e à internet aumenta cotidianamente,privando grande parte da população de tais recursos.
Por conseguinte, tem-se a demasiada exclusão digital e, a partir dessa, o agravamento das disparidades sociais. Acerca disso, o empresário Steve Jobs explica que “A tecnologia move o mundo”, no entanto, com a supressão do direito à tecnologia, muitos indivíduos tem seu “mundo” estagnado e, consequentemente, isolado e marginalizado. Isso porque, o mundo digital atual é centro de grandes novidades, da disseminação de notícias, educação e conhecimento, mas tudo isso é restrito à certa parcela populacional. Nesse contexto, fica claro o aumento das desigualdades sociais e do preconceito quando o acesso à internet é negado a alguns cidadãos. A exemplo disso, observa-se a situação estabelecida pela pandemia do COVID-19, em que estudantes privilegiados tem a oportunidade de continuar estudando, enquanto outros não têm acesso a nenhum aparelho tecnológico, muito menos à internet. Diante disso, agravam-se os problemas sociais, a exclusão e o contraste de oportunidades.
Em suma, o acesso à internet no Brasil é discrepante e suas problemáticas precisam ser combatidas.
Portanto, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações implemente conexões públicas de internet, por meio de adaptações de locais públicos -como bibliotecas ou até praças- em áreas desfavorecidas, visando à diminuição das desigualdades de tal acesso. Cabe, ainda, ao Ministério da Fazenda a redução dos Impostos Sobre Produtos Industrializados,através de planejamento tributário,a fim de que os preços dos aparelhos eletrônicos sejam reduzidos e difundidos.