O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 19/06/2020
Entende-se, usualmente, como “TICs” as tecnologias da informação e da comunicação que conectam as pessoas por meio de aparelhos com ou sem fio. Nos dias atuais,devido ao intenso avanço tecnológico e cientifico ,impulsionado desde a Revolução Industrial, as mídias digitais on-line são as tecnologias mais relevantes no que tange à conexão entre comunidades, o que para o sociólogo Pierre Levy gera a construção de uma inteligência coletiva. Entretanto, no Brasil, o acesso elitizado à internet reflete a exclusão social presente no país, resultando não em uma construção coletiva, mas em um espaço privilegiado que mostra o estilo de vida e os interesses das classes mais abastardas do país.
Em uma primeira análise, cabe ressaltar que a exclusão social brasileira alastra-se em muitos espaços, inclusive, no “cybespaço” , evidenciando um planejamento social falho do Estado. Isso ocorre porque, mesmo que o acesso à internet seja um direito garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, segundo o filósofo Achille Mbembe, os Estados negam a humanidade de certos grupos minoritários e,consequentemente, restringem suas garantias legais. Nessa lógica, comunidades que estejam em desvantagem financeira ou geográfica acabam não tendo acesso a equipamentos tecnológicos que possam conecta-las com o mundo, a fim de contribuir com a suposta construção de inteligência coletiva, atribuída ao papel da internet. Portanto, é necessário que o Estado desempenhe projetos sociais capazes de diminuir o fosso de desigualdade de acesso à internet no país, o mais novo indicador de disparidade social.
Ademais, é relevante pontuar que a narrativa presente no “cybeespaço” representa um recorte privilegiado do espectro social, tendo em vista que, segundo o site mundo educação, apenas 59 da população tupiniquim tem computador em casa. Nesse sentindo, não é por acaso que os principais e mais famosos influenciadores brasileiros, tais como Felipe Neto , debatem acerca de questões que só a bolha mais abastarda da coletividade tem acesso, como jogos de computador.
Por fim, para que o acesso à internet deixe de ser um privilégio e se torne uma realidade para maior parte da população tupiniquim, algumas medidas devem ser tomadas pelo Estado. De primeira, o Governo Federal deve estabelecer uma parceria com concessionária de serviços de telecomunicações para que planos de internet sejam criados com valores mais populares e para garantir o acesso qualificado aos meios digitais até em regiões mais remotas de Brasil. Só assim que o mais novo indicador de disparidade social- o acesso à “web”- será otimizado. Por fim, o Ministério da Cidadania e o Ministério da Educação devem promover debates em redes socais com diferentes grupos, a fim de democratizar esse espaço.