O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 19/06/2020

Segundo o escritor brasileiro Machado de Assis em sua obra “Memórias Póstumas de Braz Cubas”, o gosto da carruagem seria diminuto se todos andassem de carruagem. Essa frase, apesar de ser uma crítica nos tempos do Realismo, ainda se faz bastante presente nos dias atuais, principalmente no que diz respeito ao acesso à internet no Brasil. Logo, é bastante importante definir as causas e as desastrosas consequências dessa desigualdade.

Em primeira análise, vale salientar os porquês de boa parte dos brasileiros não terem redes wi-fi em suas residências. Apesar de muitas pessoas acreditarem que a falta de internet é bastante incomum no Brasil e que só atinge uma parcela da população, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística demonstram outra perspectiva. Conforme o IBGE, quase 50% dos brasileiros não tinham acesso à internet no ano de 2018 e, dois anos depois, não houve um aumento significativo nessa porcentagem. Isso demonstra o quão descartadas são as pessoas tidas como pobres que preferem utilizar seu salário mensal para comprar comida e pagar as contas ao invés de instalar uma rede wi-fi em suas residências.

Em segunda análise, é necessário destacar o aumento da desigualdade quando muitos brasileiros não estão dispostos à dar voz àqueles que não possuem. Uma vez que as pessoas entram numa bolha distante da realidade a qual se encontram, elas acabam prejudicando diversos setores que trabalham com a inclusão, como a educação. Isso se dá por causa da má distribuição de renda no Brasil, a qual promove um abismo entre dois cidadãos que, segundo a Constituição Brasileira, deveriam ter os mesmos direitos. Nessa perspectiva, alunos de escolas públicas que desejam aprender, por exemplo, muitas vezes não possuem o acesso à uma boa internet tanto quanto outro aluno que possui melhores condições de vida – é nesse ponto que a exclusão se instala e impede o aprendizado de muitos alunos com baixa renda.

Sendo assim, é de extrema importância que o Ministério da Tecnologia providencie redes wi-fi gratuitas por todo o país, visto que em outros locais como Estados Unidos isso não é um problema. Ademais, o Ministério da Educação deve investir em tecnologia nas escolas, principalmente em instituições públicas, a fim de que essa disparidade e desigualdade social seja minimizada entre os cidadãos brasileiros.