O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 18/06/2020

Segundo o sociólogo Manuel Castells, a informação é a matéria-prima da sociedade pós-industrial. Nesse sentido, é notável que a internet tem se tornado o principal meio de propagação de conteúdo e pode simplificar o acesso a serviços como atendimento bancário, educação e lazer. Todavia, no Brasil, há uma desigualdade de acesso à ferramenta, o que compromete a cidadania. Diante disso, vale pontuar a importância do acesso democrático à internet e a atual disparidade no país.

A priori, a democratização do uso da internet é fundamental, pois esse meio está integrado a todas as esferas da vida atual. Ele possibilita, por exemplo, a ampliação do processo pedagógico, por meio de canais educativos e o uso de plataformas do Governo, que tornam a cidadania mais efetiva. Tudo isso contribui para uma sociedade mais consciente de seus direitos e deveres. Frente a esses benefícios, o Estado precisa garantir um acesso democrático à internet para que a desigualdade social não seja ainda mais aprofundada no país. Ademais, dados da Folha de São Paulo demonstram que apenas 8% da classe D e E usufruem da ferramenta, comprovando um ciclo que expropria alguns de uma melhor qualidade de vida. Logo, o Estado deve elaborar políticas eficazes que visem a sanar tal problemática para que o acesso à internet seja de fato democrático.

Em segundo lugar, mesmo diante da importância do acesso à internet, esse meio ainda chega de modo extremamente desigual aos brasileiros. Isso advém de uma incompatibilidade da renda de algumas parcelas da população com os preços dos serviços oferecidos por companhias privadas, pois, mesmo quando se poder pagar por algum plano de banda larga, nem sempre os pacotes oferecem uma qualidade mínima que possibilitaria um uso mais amplo das plataformas. Dessa maneira, Leis como o Marco Civil da Internet apresentam lacunas em relação a como se chegar na universalização do acesso à rede, pois deixam a adesão a pacotes de banda larga sobre responsabilidade individual. Porém, isso não é compatível com a realidade de o Brasil ser o 7º país mais desigual do mundo de acordo com seu Índice de Gini, portando, o Estado deve auxiliar de maneira específica cada necessidade social, a fim de que a internet não continue sendo mais um meio de segregação social no país.

Diante do acesso à internet no país, é fundamental que os Municípios façam mapeamento das famílias sem acesso à internet e criem programas de auxílio a elas, por meio de custeio parcial ou total de bandas largas, visitas de assistentes sociais que aconselhem sobre como usar a internet de maneira saudável, a fim de inserir possíveis excluídos digitais nos benefícios proporcionados pela internet. Somado a isso, o Governo Federal deve implantar pontos de acesso à internet nas escolas, por meio de projetos de integração tecnológica, objetivando redução da desigualdade