O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 18/06/2020

Com o fenômeno da Globalização, diversos países inovaram suas tecnologias e enfrentaram o processo de modernização. Entretanto, esse acontecimento não ocorreu de forma homogênea, fazendo com que a ‘‘Globalização perversa’’, conceito de Milton Santos, fosse um meio de demonstração de poder. Sob essa perspectiva, é válido analisar as raízes históricas que impossibilitam a democratização do acesso à internet, assim como os seus reflexos no futuro da sociedade brasileira.

A priori, nota-se que a falta de contato com o meio digital, por parte de alguns brasileiros, é fruto de uma estrutura social elitista. Isso ocorre porque, segundo Celso Furtado, o subdesenvolvimento é um negócio, uma estratégia de manipulação. Sendo assim, o fato de que cerca de 40% dos domicílios não possui internet, segundo o Comitê de Gestão, revela que tal ação se constitui como um meio para a manutenção das desigualdades sociais. Afinal, a ciência corrobora de forma incisiva para o progresso da educação e ambas possuem uma grande capacidade transformadora. Por essa razão, a classe dominante é mais resistente às mudanças sociais e não contribui para a democratização dessa rede de informações.

É imprescindível discutir, ainda, como essa não coletivização da internet afeta diretamente a sociedade, até mesmo em termos econômicos. Tal relação se baseia nas distintas realidades do Japão e do Brasil. O primeiro se destaca por ser um dos países menos desiguais, segundo o FMI, pois oferece uma educação totalmente relacionada com o uso de tecnologias em suas salas de aula, além de oferecer políticas públicas que viabilizam o acesso em todo o país. Em contrapartida, o Brasil, nono país mais desigual, não investe no setor de expansão da ‘‘web’’, contribuindo para a precarização do ensino, seja público ou privado. Tal conjuntura coopera para que não haja a formação e capacitação técnica de futuros profissionais, os quais, por não estarem adequados ao mercado de trabalho, são levados ao subemprego e, consequentemente, há a continuidade das desigualdades vigentes.

Compreende-se, portanto, que a não democratização do acesso à internet no Brasil tem barreiras e impactos socais. Por isso, é preciso que o Superministério da Cidadania e o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações façam, com o auxílio dos Governos dos Estados, um levantamento dos municípios e bairros com vulnerabilidade social e instalem centros de informática nessas localidades e nas escolas. Nesses locais, os moradores cadastrados poderão ter acesso à internet, utilizando-a para fins de lazer e pedagógicos. Tal ação garantirá o acesso aos meios virtuais de forma democrática e, consequentemente, colaborará para o bem-estar da população, dando-a oportunidades para transformar e extinguir essa ‘‘Globalização Perversa’’.