O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 15/06/2020
Conceitualmente, a Geração Z é entendida como aquela marcada pela adesão à tecnologia. Apesar desse pressuposto, o acesso precário à internet no Brasil faz com que muitos jovens não se sintam representados por tal definição. Assim, nota-se que a ampliação das aplicações dessa ferramenta não foi acompanhada, em igual proporção, pela diversificação de seus usuários, o que se deve a fatores como o alto custo do serviço e a concentração das redes de cobertura.
A princípio, observa-se que a falta de usufruto igualitário das ferramentas tecnológicas se deve, em parte, ao elevado preço dos planos de internet. Quanto a isso, o congresso nacional instituiu a Lei do Marco Civil da Internet, tornando seu acesso um direito de todos. No entanto, pesquisas do Instituto Nacional de Geografia e Estatística demonstram a ineficácia dessa medida ao indicar que um a cada quatro jovens de baixa renda permanece alheio ao universo digital. Dessa forma, ao não incentivar o barateamento do custo da banda larga, a lei contribui para acentuar a desigualdade social, uma vez que os indivíduos que não podem pagar por ela não têm oportunidade de acompanhar conteúdos educativos e informacionais de forma online.
Outrossim, a concentração das redes de cobertura nos grandes centros urbanos contribui para a problemática. Para o geógrafo Milton Santos, uma das vertentes perversas da globalização consiste na não homogeneidade da distribuição dos recursos, gerando áreas marginalizadas alheias à direitos como energia elétrica e tecnologia, por exemplo. Esse fenômeno é aplicável à realidade brasileira, na qual é possível observar a presença de numerosas empresas privadas de fornecimento de internet nas metrópoles, enquanto regiões mais afastadas permanecem privadas desse recurso.
Depreende-se, portanto, que o acesso desigual à internet é uma problemática latente. Para minimizá-la, o Ministério da Cidadania deve incentivar a participação da população de baixa renda na âmbito digital. Isso pode ser realizado por meio da elaboração de uma petição a ser enviada ao Poder Executivo com o intuito de acrescentar na Lei do Marco Civil da Internet uma taxa limite de cobrança para assinatura dos planos mensais de banda larga para aqueles que não podem arcar com o valor integral. Tal ação contaria com a participação das secretarias estaduais de defesa social e da sociedade civil organizada. Por fim, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia instalar centrais de redes de “wi-fi” em municípios afastados das capitais dos Estados. Isso pode ocorrer mediante o estabelecimento de uma parceria com as universidades públicas de cada região, que fariam um levantamento indicando as áreas prioritárias. Espera-se, assim, que mais brasileiros possam integrar, de fato, a Geração Y.