O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 14/06/2020

No poema Cota Zero, Carlos Drummond de Andrade mostra a enorme dependência da tecnologia pela sociedade contemporânea, ao questionar “A vida parou. Ou foi o automóvel?”. Porém, atualmente, apesar do aumento do número de pessoas utilizando as tecnologias, principalmente a internet, muitos ainda não têm acesso a essa no Brasil. Por haver tal desigualdade, é preciso discutir seu porquê e quais são os desafios da educação com a falta de acesso à internet por muitos estudantes.

Primeiramente, é notável que a desigualdade no acesso à internet advém das desigualdades sociais e econômicas preeexistentes, estas, já retratadas no quadro Abaporu de Tarsila do Amaral, que sugeria o povo precisar de “mais pé que cabeça”, ou seja os mais pobres só precisam trabalhar, e não têm tempo para estudos. Isso se deve ao fato de uma parte da população praticamente não ter acesso à escolas e universidades, por exemplo, e exercer profissões que são desvalorizadas, que têm remuneração menor que a merecida.

Além disso, pelo fato do acesso à internet no Brasil ser desigual, a educação enfrenta obstáculos, principalmente em tempos de pandemia, já que as escolas públicas estão ficando atrasadas no conteúdo, pela falta de recursos, enquanto as privadas já conseguem realizar o EaD. O principal desafio é a pequena quantidade de estudantes com computadores e internet de qualidade em casa, o que é mostrado pela pesquisa do IBGE, que 1 em cada 4 brasileiros não têm internet, por falta de interesse ou por não saber utilizá-la. Por isso, é necessário promover esse recurso.

Logo, como o Governo é responsável pela educação e todos têm direito a essa, segundo o Art. 205 da Constituição, este deve disponibilizar computadores e internet à população, por meio da criação de espaços públicos em locais estratégicos, com computadores para empréstimo, com prazo determinado, e com rede de Wi-Fi disponível, para que a desigualdade diminua e a educação pública possa progredir. Desse modo, a vida retratada em Abaporu poderá deixar de  ser uma realidade no Brasil.