O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 18/06/2020

O livro intitulado “O Quarto Poder”, do jornalista Paulo Amorim, demonstra a expressividade e influência das redes sociais no novo contexto contemporâneo social. Apesar disso, nota-se, infelizmente, que as transformações proporcionadas pelo novo poder, descrito na obra como relevante, não atingem a todos da sociedade, visto que o acesso à internet é desigual no âmbito canarinho.Sendo assim, é importante ponderar a herança do Brasil como causa pela má distribuição digital e as consequências do problema na educação deste país.

De início, é essencial entender que o passado histórico-cultural de desigualdade, desde o período colonial até o republicano, participa de uma construção social da banalização dos erros. Isso ocorre porque, segundo uma visão do historiador Leandro Karnal, os comportamentos e ações de um Estado Nacional e de sua população são reflexos das suas histórias, isto é, das suas heranças culturais.Diante disso, reflete-se que a desigualdade do acesso ao meio digital é fruto tanto da constante e persistente concentração,nas camadas mais ricas, de instrumentos de afirmação da cidadania quanto da falta de interesse dos mandatários em alterar esse cenário.

Além disso, observa-se que a falta de equidade, ou seja, oferecer oportunidades iguais para o meio social interfere, de maneira negativa, em pilares ditos como essenciais para a construção de uma sociedade baseada no respeito e na igualdade, como a educação. Tal fato ocorre porque, de acordo com uma óptica do livro “Pedagogia do Oprimido”, do educador Paulo Freire, o processo pedagógico brasileiro age para colaborar com uma estrutura hierárquica, em que os menos favorecidos sofrem com a falta de atenção e oportunidades. A partir disso, infere-se que a ausência da equidade na questão da internet prejudica e menospreza estudantes os quais sofrem ou com a dificuldade de acesso às redes de ensino, ou com momentos difíceis, como, por exemplo, a pandemia no ano de 2020.

É necessário, portanto, que os olhares para a questão da distribuição da internet no Brasil estejam mais atentos. Por isso o Poder Executivo, por ser um órgão de grande influência, precisa adotar medidas que prezem pela igualdade entre todos os cidadãos e que se propaguem por todo território nacional. Tais medidas devem ser feitas por meio da criação de projetos, estudados e cooperados tanto pelo Ministério da Educação quanto pelo Ministério das Ciências e Tecnologias, os quais possam promover a expansão da rede de fibra óptica no país e, posteriormente, a instalação, monitoradas pelas redes municipais, de internet em casas desfavorecidas. Essa conjuntura tem que ser feita com o fito de combater problemas da herança cultural e respeitar ideais “freireanos”. Só assim, o novo poder estabelecido pelo jornalista influenciará gradualmente a maioria populacional.