O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 16/06/2020
A Organização das Nações Unidas, no ano de 2011, afirmou que acesso à internet é um direito humano e universal . Porém, essa não é uma realidade no Brasil, país o qual inúmeras pessoas ainda estão desprovidas dessa ferramenta de conexão. Nesse contexto, torna-se urgente analisar a importância do alcance à internet no cenário social, juntamente com a preocupante elitização desse instrumento contemporâneo.
De início, é imperioso pontuar que para o filósofo Emmanuel Kant, o princípio da ética é agir de forma que essa ação possa ser uma prática universal. Diante de tal fundamento, no Brasil, o acesso à internet deveria ser uma realidade para a toda coletividade do país, pois é um direito humano. Este, foi garantido com a pretensão de promover acesso à informação, conhecimento e comunicação, fatores necessários para o desenvolvimento pessoal de qualquer indivíduo. Logo, ter alcance às ferramentas disponíveis pela internet não só é ter acesso à democracia, como também é algo que reflete na formação intrínseca do ser humano. Assim, a rede tem papel decisivo no desenvolvimento intelectual, econômico e social da população do país, tornando-se fundamental e necessária.
Ademais, infelizmente, cabe analisar que nem todos os cidadãos do país têm contato com a internet e suas utilidades. Tal fato pode ser explicado pelo conceito “Globalização Perversa”, do geógrafo Milton Santos. Este, destila que o advento da globalização não ocorre para todos, mas somente para aqueles que estão no topo das relações de poder. Assim, as camadas sociais mais favorecidas e urbanizadas são, basicamente, as que mais – ou unicamente – possuem alcance ao webespaço. Diante disso, inúmeras pessoas são excluídas dessa conexão global e tendem a sofrer o processo de desumanização, pois não possuem acesso a todos aos benefícios necessários advindos da utilização da internet.
Diante dos fatos supracitados, é notório que o Brasil precisa direcionar mais atenção à questão do acesso à internet na população. Urge, portanto, que o Governo Federal não só estatize à internet por meio da inclusão de uma rede Wi-Fi programas de assistência social como o Bolsa Família, mas também distribua um tablet para essas famílias com o intuito de promover o alcance a internet nos mais diversos e precários lares do Brasil. Ademais, cabe à mesma instituição o estímulo à empresas privadas adotarem áreas públicas da cidade e fornecerem nelas Wifi sem senha, com a finalidade de garantir à população o acesso as utilidades fundamentais da internet, tornando o seu alcance público, inclusivo e democrático para assim, finalmente efetivar o direito universal garantido pela ONU.