O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 19/06/2020

“Brasil, um país de todos”. O bordão utilizado na campanha publicitária do Instituto Brasileiro de Cidadania insinua a existência de uma igualdade entre os cidadãos do país, no entanto essa não é uma realidade no território, cujos índices de desigualdade são pulsantes. Nesse espectro, ao se tratar do acesso à internet e às tecnologias, pode-se dizer que não há uma correta distribuição entre a população e, em decorrência do fato, há restrição de oportunidades, essencialmente educacionais, aos mais ricos.

Em primeira análise, é necessário ter em vista que a pátria latina lida, desde a sua colonização, com a presença da desigualdade social, principal responsável pela má disposição de recursos entre os indivíduos. Sob a ótica sociológica de Karl Marx, a disparidade social acontece em decorrência do acúmulo de capital pelos donos de indústrias, em paralelo à injusta remuneração àqueles que, por não terem dinheiro, nada podem comprar: os trabalhadores pobres. Desta forma, sendo o Brasil capitalista, e sabendo que o IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima cerca de 50 milhões de pessoas na linha da pobreza, grande parte da população não têm dispõem de internet, cujo custo é alto. Esse é o caso de Helém, personagem de classe baixa da novela Malhação, que sonha em ter um notebook, porém, até mesmo para conectar-se à “rede”, necessita estar em seu ambiente escolar.

Por conseguinte, os jovens nascidos em famílias “carentes”, não têm contato com os artifícios facilitadores desse “mundo digital”, sendo dificultada a produção de pesquisas e atividades escolares onlines. No programa televiso “Encontro”, apresentado pela jornalista Fátima Bernardes, um jovem fala sobre o problema que enfrenta para realizar “deveres de casa” propostos por seus professores, já que, bem como Helém, não possui internet em seu domicílio. Ele explana que, em virtude da impossibilitada confecção de atividades, acaba tendo boletins escolares com notas baixas e, concomitante a isso, universidades, como a de Michigan, e algumas empresas analisam o histórico escolar dos admitendos. Bem como esse, outros adolescentes sofrem com o “Determinismo Social”, defendido por Foucault, no qual, por serem desfavorecidos de recursos,  tendem a permanecer naquela mesma realidade social.

Portanto, tendo em vista os argumentos supracitados, é mister que o Ministério de Ciência e de Tecnologias, em parceria com as Prefeituras Municipais do país, empregue redes de acesso à internet em locais mais carecidos, buscando democratizar esse acesso. Além disso, urge, também, que o Ministério da Educação continue investindo no aparato tecnológico das instituições educacionais públicas, oportunizando jovens. Somente assim, os efeitos da desigualdade social serão amenizados.