O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 18/06/2020

Segundo pesquisas da (UNICEF) Fundo das Nações Unidas para a Infância, 48% da população global não possui acesso à internet. Sendo isso, reflexo das desigualdades sociais e econômicas advindas do descaso do governo em democratizar a navegação no mundo virtual. Junto a isso, tem-se por consequência o desamparo educacional em situações de crise.

Em primeira análise, de acordo com o sociólogo Bauman, a sociedade se encontra em “tempos líquidos”. Tal premissa se concretiza pela busca da ascensão econômica, priorizando a obtenção do maior lucro possível em detrimento do bem-estar social. Diante disso, tem-se um monopólio comercial das empresas fornecedoras de internet, pois o governo não realiza ações que disponibilizem esse recurso publicamente, e assim o acesso ao mundo virtual se torna restrito a população em situação de media ou alta renda. Prova disso, está em pesquisas realizadas pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, apontam que 42% dos brasileiros não possuem um computador em casa.

Em segunda análise, de acordo com a Constituição Federal, é direito de todos o acesso à educação, sendo responsabilidade do Estado e da Família a garantia de seu gozo pelo indivíduo. Junto a isso, a internet é uma ferramenta em potencial para o suporte educacional, pois possibilita a realização das atividades escolares a distância.  No entanto, em função da falta de investimentos do governo na infraestrutura escolar no ambiente virtual e no fornecimento da internet para estudantes de baixa renda, tem-se um desamparo educacional nos tempos de crise. Prova disso, está no contexto da atual pandemia de corona vírus, no qual as universidades públicas tiveram seu semestre cancelado pelo Ministério da Educação( MEC), em função da inviabilidade de realizar a modalidade de educação a distância, pois grande parte do corpo docente não tem acesso à internet.

Portanto, é necessário tomar medidas para atenuar a taxa de pessoas sem acesso ao mundo virtual no Brasil. Logo, é fundamental que o Governo Central promova ações que democratizem a disponibilidade de internet para a população, através de acordos com empresas privadas que visem fornecer esse recurso para cidadãos, o quais provem que se encontram em situação de baixa renda, dessa forma descentralizando o acesso ao mundo virtual. Além disso, o Ministério da Educação deve promover um combate ao desamparo educacional advindo da inviabilidade do uso da internet, através de palestras e debates conduzidos por profissionais da área, a quais busquem atrair empresas para realizar investimentos no fornecimento do ciberespaço para estudantes de baixa renda, visando a maior adaptação da educação em momentos de crise.