O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 18/06/2020
De acordo com a Constituição Federal de 1988, o acesso à internet é um direito inerente e essencial a todos os cidadãos. Apesar disso, parte da sociedade ainda não tem acesso pleno a esse mundo digital, o que desfavorece o exercício de sua cidadania. Diante disso, é imprescindível avaliar o acesso à internet no Brasil, tendo em vista dois aspectos: a exclusão digital marcante na atualidade e os impactos do uso excessivo desse meio.
Inicialmente, vale destacar o acesso restrito à internet como característica marcante no Brasil atual. Isso porque, embora a globalização devesse harmonizar e incluir as pessoas, o que ocorre, de fato, é uma exclusão social e digital crescente no país. Nesse sentido, o geógrafo Milton Santos evidencia a globalização como ela é, perversa, pautada no individualismo e na exclusão. Assim, a digitalização limitada é favorecida em detrimento do acesso amplo que, diferente da anterior, possibilita a ampliação da visão de mundo, por meio de trocas de informação e diversificação das relações sociais. Comprova-se tal limitação de acesso em um dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no qual se evidencia que 1 em cada 4 brasileiros não tem acesso à internet. Desse modo, amplia-se a desigualdade de oportunidades de trabalho e se fomenta a marginalização de indivíduos.
Além da exclusão digital, um outro fator relacionado ao acesso à internet no Brasil se refere aos impactos do uso excessivo desse meio. Segundo o filósofo Michel Foucault, a sociedade é composta por seres biopsicossociais, ou seja, seres que sofrem influências biológicas, psicológicas e sociais no seu desenvolvimento. Sendo assim, o uso indiscriminado de quaisquer meios ou produtos pode gerar problemas para saúde do indivíduo. No caso da internet, a ausência de limites de acesso prejudica a saúde física, mental e a socialização das pessoas. Por exemplo, tem-se a promoção de dependência psicológica e de comportamentos conflituosos com familiares e amigos. Nesse contexto, doenças como ansiedade e depressão são desenvolvidas em pessoas que ignoram os malefícios desse uso.
Portando, é indiscutível a importância do acesso saudável à internet no Brasil. Assim, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve, associado a empresas privadas de tecnologia, promover a implementação de conexões públicas à internet. Para tal, cabe um maior redirecionamento do PIB, de modo a incluir, digitalmente, mais pessoas. Ademais, o Ministério da Educação deve atuar, aliado ao Ministério da Saúde, na conscientização social quanto ao uso saudável da internet e aos malefícios de seu uso indiscriminado. Para isso, aulas socioeducativas, que vinculem matérias como biologia e informática devem ser ministradas em instituições de ensino, visando a minimizar os problemas consequentes da falta de orientação de acesso.