O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 19/06/2020

Com a atual pandemia do novo coronavírus e a troca, por parte de vários centros educacionais, das aulas presenciais pelo ensino à distância, a desigualdade no acesso à internet tornou-se ainda mais escancarada no país. Seja pelo alto custo do serviço e dos aparelhos que permitem tal conexão, fora da realidade de muitos brasileiros, ou pela falta de conhecimento de como navegar, a privação dessa rede interfere diretamente no direito à informação, além de prejudicar a educação e diminuir as chances de ingresso no mercado de trabalho.

Primeiramente, é necessário destacar o papel que a internet assumiu nos dias atuais, sendo um dos principais meios pelos quais se obtém informação, que vai desde os acontecimentos importantes no globo até o gerenciamento do dinheiro público pelos políticos. Nesse sentido, é indiscutível a relação entre informação e cidadania, uma vez que, sem a primeira, é impossível se portar de maneira lúcida diante do mundo. Ainda assim, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 30% da população não tem acesso à rede. Isso se deve, em parte, ao alto custo do serviço e dos aparelhos que permitem tal conexão, fora da realidade de muitos brasileiros. Desse modo, em face do impedimento financeiro, parte do país é privada de exercer plenamente a sua cidadania.

Além disso, também de acordo com o IBGE, cerca de 40% das pessoas que não utilizam a internet não o fazem por não saberem como navegar. Afinal, esse é um privilégio dos que tiveram, desde cedo, contato com essa tecnologia. Dessa forma, a mera presença da rede e dos aparelhos eletrônicos não garante, sozinha, a acessibilidade, sendo fundamental o conhecimento de como usá-los. Sem isso, as desigualdades serão constantemente intensificadas, inclusive na educação, já que a internet, atualmente, não só serve de complemento para esses fins, como também abriga cursos completos na modalidade à distância. Outro impacto acarretado por essa privação é a dificuldade de ingresso no mercado de trabalho, haja vista que os que dominam tal ferramenta têm mais chances de serem contratados.

Portanto, a fim de democratizar o acesso à internet, o Governo Federal deve facilitar a compra de “smartphones”, “tablets” e computadores, por meio da redução dos impostos sobre esses itens. Os governos municipais, por sua vez, devem ampliar o uso da rede, com a instalação de conexões públicas em praças e pontos onde há maior circulação de pessoas. Por fim, o Ministério da Educação deve orientar a população a respeito de como utilizar a internet e os aparelhos eletrônicos, por meio da criação de uma central que atenda telefonemas gratuitos para tirar as dúvidas dos futuros internautas. Assim, há de se ter uma sociedade um pouco mais igualitária e com a cidadania fortalecida.