O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 19/06/2020
Durante a pandemia de coronavírus, as instituições educacionais tiveram que se adaptar ao isolamento social e aderir à Educação a Distância (EaD). Entretanto, essa situação se depara com uma problemática: nem todos têm acesso à internet de qualidade no Brasil, e isso se deve ,principalmente, a desigualdade social.
Em primeira análise, é preciso compreender que a desigualdade remonta desde o início da história humana e produziu consequências ao Estado. Ao levarmos em consideração o pensamento do filósofo Rousseau, a noção de propriedade privada nos primeiros homens criou a ideia de acumulação de bens e, por isso, soberania em relação ao resto. O Estado, que - segundo ele - organiza essa sociedade, como detentor do poder, corre risco de querer impor sua vontade em detrimento do bem popular, contribuindo para a manutenção das desigualdades. Por exemplo, a chegada da familia real portuguesa ao Brasil em 1808 reverberou a construção de teatros, praças e avenidas. Dessa situação compreende-se que, desde o período Colonial, muitas ações do Estado tiveram como objetivo agradar a classe dominante, e não o povo em si.
É preciso analisar, consequentemente, que, quando o Estado não usa seu poder para favorecer o povo, as desigualdades são acentuadas. Segundo a Constituição, é dever do Estado prezar pela igualdade. No entanto, ao manter uma educação pública precária, a chance de um jovem de baixa renda alcançar o nível superior, e, por conseguinte, melhores salários, diminui muito, o que faz com que metade dos brasileiros viva apenas com 413 reais mensais, segundo pesquisa do Pnad Continua. Dessa forma, o acesso a internet pelo povo em geral é prejudicado, pois muitos não tem renda suficiente para bancar a conexão.
Portanto, é fundamental abrandar as desigualdades sociais de modo a permitir maior acesso à internet no Brasil. Para isso, é preciso que o Estado deixe de favorecer a classe dominante e exerça sua função de promover a igualdade entre todos. Nesse sentido, o Poder Executivo deverá investir em educação pública de qualidade - pela melhoria das condições das instituições de ensino e na qualidade do corpo docente - no intuito de oferecer oportunidades igualitárias entre as classes, e que, por fim - as aulas de EaD sejam acessadas por todos.